Desenvolvido por Miss Lily Comunicação
Quem Somos Assine Já Fale Conosco FAQ Meus Dados Fazer Login
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Delicious Blogger WordPress Enviar por e-mail
  Home
Professor > Temas de Redação

 
Você, Tu e o Senhor - confusão no pronome de tratamento
 
Leia o texto a seguir e, baseado em suas experiências pessoais, escreva a sua redação dissertativa.

Você, Tu e o Senhor

Confusão no tratamento faz parte dos usos e costumes nacionais.

No calor de Manaus, ao embalo tropical da cerimônia que, na semana passada, reuniu os países amazônicos para discutir a Rio 92, produziu-se um diálogo digno de nota. Um repórter da Folha de São Paulo aproximou-se do presidente Fernando Collor e perguntou:

- Os jornais estão dizendo que você vai tirar férias. É verdade?

Respondeu o presidente, levantando os braços e num tom de voz elevado, segundo descrição da Folha:

- Você é estrebaria.

Você estrebaria? Na verdade, Collor não disse isso. "Você é estrabaria", segundo a Estilística da Língua Portuguesa, do professor Rodrigues Lapa, é a resposta irada que se dá ao "você" em certas regiões de Portugal onde esse tratamento é considerado ofensivo. O presidente foi direto a um palavrão: "Você é o..." Como esta revista não é a novela das 8, prefere-se pudor das reticências à crueza da expressão original.

Em matéria de más maneiras, difícil dizer quem ganha, se o repórter ou o presidente. Ambos se inserem no clima nacional de zorra de acordo com o qual telefonistas chamam os interlocutores de "meu bem", caixas de banco dirigem-se aos clientes como "meu filho" e o palavrão tem circulação tão irrestrita que acabou consagrado na televisão.

Não há justificativa nem para o repórter nem para o presidente. Diga-se apenas, sem querer desculpar ninguém, que a questão do tratamento, origem do qüiproquó de Manaus, é tão mal resolvida no Brasil que virou fonte de angústia. "Como vou chamá-lo, de você ou senhor?" Essa é uma dúvida que pode se apresentar de forma tão aflitiva quanto a do ser ou não ser para o príncipe Hamlet. Já que "o senhor" pode ficar excessivamente formal e o "você" abusivamente íntimo, uma das saídas é habilitar-se na técnica de levar toda uma conversa sem usar nem um nem outro, driblando-os com circunlóquios ou, quando não der mais, com grunhidos inaudíveis.Veja, 19/02/92 (Roberto Pompeu de Toledo).

 

 

 


página anterior   1   próxima página

 

Ver Tema Anterior: Temas de Redação do ENEM
 
Apostilas


 

Simulados
Prepare-se para o Vestibular
Número ilimitado de simulados. Correção automática. Conheça o Simulado Personalizado do 10emtudo.