Desenvolvido por Miss Lily Comunicação
Quem Somos Assine Já Fale Conosco FAQ Meus Dados Fazer Login
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Delicious Blogger WordPress Enviar por e-mail
  Home

 
Oriente Médio
 

Oriente Médio

Ao longo do período que os historiadores denominam a Antiguidade Oriental, na região conhecida como o "Crescente Fértil" ( área que se estende entre a Mesopotâmia e o Egito ), proliferaram inúmeros reinos e impérios. Um deles, o de Israel. Com uma população pequena e com recursos limitados, o reino judaico foi vítima de invasões sucessivas: assírios, macedônios e romanos. Por diversas vezes, os judeus tiveram de enfrentar povos que impunham regimes opressivos sobre a Palestina. No ano 66 d.c. , guerreiros israelitas tentaram expulsar os romanos, libertando partes do território judaico. Em 70, a resposta romana foi  terrível: o templo em Jerusalém é destruído. Anos depois, o imperador romano Adriano, temendo uma nova rebelião, ordena a expulsão dos judeus da Palestina. Uns lá permaneceram; outros migraram, dando início à Diáspora: a dispersão do povo judeu pelo mundo. Floresceram comunidades israelitas em várias regiões do planeta. Embora espalhados, os judeus nunca se esqueceram da pátria original, para a qual sempre aspiraram retornar. Sendo o judaísmo uma religião escatológica (escatologia: o conceito de que a História tem uma finalidade de antemão determinada), o retorno a Israel só se daria na "Era Messiânica" ("messias": o "ungido", o "escolhido por Deus"). Daí a clássica oração judaica que reza: "o ano que vem em Jerusalém".

Ao longo dos séculos, o território judaico passou de mão em mão: bizantinos o dominaram; a expansão árabe dele tomou conta; levas e levas de turcos o conquistaram; as cruzadas cristãs criaram o Reino Latino de Jerusalém, e, por fim, ele caiu sob domínio turco otomano.

No século XIX, quando se agravou o antissemitismo (o ódio irracional aos judeus) e com o afloramento, no leste europeu, da "questão das nacionalidades" (o conceito que prega que toda comunidade nacional precisa de um estado), intelectuais e lideranças judaicas - tais como Moses Hess, Theodor Hertzl e Borochov, dentre outros - criaram o sionismo, ideologia da libertação nacional do povo judeu por meio de um estado israelita na Palestina. Ainda no século XIX, começaram as migrações de jovens sionistas para a Palestina turca, onde fundaram estruturas agrícolas e comerciais.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os ingleses, interessados em expulsar os turcos do Oriente Médio, fizeram três promessas contraditórias. Para os árabes propuseram que, se eles lutassem contra os turcos, a Inglaterra daria a eles uma "grande nação árabe independente" sob o domínio da família hachemita. Em novembro de 1917, buscando seduzir os judeus para a causa aliada, firmaram a "Declaração de Balfour", onde se lia que Londres veria com bons olhos a criação de um "lar nacional judeu na Palestina" e, em 1915, já haviam concluído com a França o "acordo secreto" Sykes-Picot, pelo qual Londres e Paris dividiriam o Oriente Médio.

Terminado o conflito, prevaleceu a artimanha anglo-francesa: a Síria e o Líbano transformaram-se em colônias francesas; o Iraque, a Arábia Saudita e a Transjordânia tornaram-se protetorados britânicos. Por sua vez, a Palestina era submetida ao mandato britânico. Na década de 1920, eclodiram os primeiros conflitos entre árabes e sionistas. De fato, para os palestinos, modelados pela arcaica tradição cultural muçulmana, os hábitos europeus dos sionistas eram alvo de repúdio. 

No início do mandato, os britânicos eram mais ou menos receptivos à imigração judaica; pouco a pouco, percebendo as reações hostis dos árabes palestinos, Londres passou a proibir a entrada de sionistas. Nos anos 30, esta postura britânica foi imoral e fatal: muitos judeus que então saíam da Alemanha Nazista foram impedidos de adentrar a Palestina, sendo obrigados a retornar ao Terceiro Reich onde seriam massacrados. No final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a comunidade mundial constatou a matança deliberada de seis milhões de judeus nos campos de extermínio da Alemanha Nazista. As nações, que pouco fizeram para impedir o genocídio (o extermínio de uma etnia), tinham uma dívida moral para com os judeus. Além disso, a União Soviética, interessada em criar problemas para o imperialismo inglês no Oriente Médio, propôs que a ONU (Organização das Nações Unidas, entidade supranacional, criada pela carta de São Francisco de 1945) discutisse a questão palestina, sugerindo também a criação, na área, de um estado judeu. Em novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a partilha da Palestina, pela qual nasceriam o Estado de Israel e um estado árabe palestino, e Jerusalém seria internacionalizada, por ser uma cidade "três vezes santa" (lugar sagrado para o judaísmo, cristianismo e islamismo), sob a bandeira da ONU. Os sionistas aceitaram a decisão; as nações árabes não. Em maio de 1948, os ingleses saíram da Palestina e, simultaneamente, os estados árabes (Egito, Síria, Transjordânia, Iraque e, formal e simbolicamente o Líbano) atacaram Israel. Iniciava-se a "Guerra de Independência".

Embora apenas dispondo de armas leves de algumas peças de artilharia, Israel triunfou sobre os então poderosos estados árabes, principalmente sobre os exércitos do Egito e da Jordânia, ambos armados e treinados pelos ingleses. A vitória permitiu a ampliação territorial do estado judeu que, na ocasião, ocupou Jerusalém ocidental, permanecendo a parte leste da cidade em mãos jordanianas. O conflito militar inviabilizou a internacionalização de Jerusalém.

Um Novo Fator de Desequilíbrio: o Nasserismo

A derrota diante de Israel abalou o governo egípcio, então liderado pelo corrupto Rei Farouk, que preservava uma estrutura socioeconômica quase feudal em seu país. Em 1952, um grupo de jovens oficiais do exército, comandados pelo coronel Naguibe, promoveu a "Revolução dos Coronéis" derrubando Farouk e proclamando a República Árabe do Egito. Dois anos depois, Naguibe, vítima de um golpe, foi substituído pelo coronel Gamal Abdel Nasser. Teria início nesse momento, um dos mais importantes fenômenos políticos da segunda metade do século XX: o nasserismo.

Este pode ser definido como uma realidade política que apresentou cinco aspectos fundamentais:

  1. a modernização autoritária do Egito. Noutros termos, Nasser procurou destruir "de cima para baixo" as velhas estruturas sociais, políticas e econômicas de seu país. Inegavelmente, Nasser alterou radicalmente o cenário egípcio;
  2. terceiro-mundismo. Na Conferência de Bandung, realizada na Indonésia em 1955, surgiria o bloco das "Nações não-alinhadas", que defendia o afastamento dos países em desenvolvimento em relação aos mundos capitalista e socialista. Nasser foi uma das mais importantes lideranças desta corrente que pregava o neutralismo. Aliás, ele próprio conceituou dois tipos de neutralismo: o tradicional, que consistiria em dizer "não" para as outras nações e, o que ele sugeria, o neutralismo positivo que significava dizer "sim" ou "não" quando conviesse;
  3. antiocidentalismo. Nasser estava disposto a expulsar do mundo árabe todos os vestígios da presença das nações europeias, notadamente a Inglaterra e a França;
  4. pan-arabismo. O líder egípcio encarnou o sonho de uma única e poderosa nação árabe. Promoveu, entre 1958 e 1962, a união entre o Egito e a Síria sob a denominação de República Árabe Unida. O pan-arabismo levou Nasser a promover o golpe que derrubou a monarquia hachemita do Iraque e combater as ditas "monarquias feudais", fundamentalmente a Arábia Saudita e a Jordânia;
  5. antissionismo. Visando unir os árabes, Nasser precisava criar um inimigo comum. Seu alvo foi Israel que, na terminologia nasserista, era chamado de "a ponta de lança do imperialismo ocidental no Oriente Médio". Em 1956, Nasser, materializando seu ódio ao Ocidente, nacionalizou o Canal de Suez, até então propriedade de um consórcio anglo-francês. Em resposta, Londres e Paris atacaram o Egito. Como Israel era, na ocasião, abastecido de material militar pela França, houve um acordo entre Tel Aviv, então capital administrativa de Israel, e os governos inglês e francês no sentido de forças militares judaicas também atacarem o Egito. Na Europa esta guerra foi denominada de a "Guerra de Suez". Israel a chama de "Campanha do Sinai". Num rápido avanço, as forças israelenses atravessaram o deserto do Sinai, tomando a cidade egípcia de Port Said. A União Soviética, ciente de que Nasser era inimigo declarado do ocidente, pressiona para a Inglaterra, a França e Israel abandonarem o território egípcio. Os Estados Unidos, que buscavam seduzir Nasser para evitar que ele pendesse para o lado soviético, também exigiram o recuo daqueles três países, que foram obrigados a ceder diante de pressões tão poderosas. Nasser, após ser militarmente humilhado, tornou-se politicamente vitorioso: o homem que humilhara a Europa Ocidental. As massas árabes, ressentidas com o Ocidente desde as Cruzadas, passaram a encarar o líder egípcio como a encarnação da "vingança do Islão contra os infiéis". Em 1964, sob os auspícios de Nasser, era criada a Organização da Libertação da Palestina (OLP), uma "frente ampla" de movimentos palestinos, todos irmanados pelo desejo de destruir Israel. De início, a OLP coordenou suas ações políticas e militares com os governos dos estados árabes; a partir de 1967, a organização palestina, descontente com a incompetência militar das nações árabes, passou a práticas terroristas contra objetivos israelenses e americanos, tais como atentados, sabotagens e sequestros de aviões civis, estes na intenção de libertar seus militantes detidos pelo estado judeu. Nessa segunda fase de operações, começou a despontar a liderança de Yasser Arafat, chefe do principal grupo da OLP, a "FATAH".

UMA GUERRA RÁPIDA: SÓ FORAM SEIS DIAS

Em 1967, Nasser, cuja retórica se baseava na proposta de "jogar os judeus ao mar", exigiu que os "capacetes azuis" (tropas de manutenção de paz das Nações Unidas) abandonassem o território de Gaza, além de fechar o Golfo de Ácaba, por onde entravam em Israel petróleo e outros produtos essenciais à sua economia. Antevendo uma agressão militar, já que o Egito, a Síria, a Jordânia e o Iraque tinham assinado um acordo de ajuda militar mútua, Israel leva a efeito um "contra-ataque preventivo". Extremamente rápida, a ofensiva israelense, usando habilmente a combinação de blindados e força aérea, desmontou a máquina de guerra árabe. Em função da vitória, os israelenses tomaram Jerusalém Oriental, a Cisjordânia, as colinas de Golã, Gaza e o Sinai que eram áreas egípcias. Israel alcançava o Canal de Suez, onde instalou, com propósitos defensivos, a linha Bar Lev fortemente artilhada.

Em 1970, vítima de um infarto, morre Nasser, substituído no governo egípcio por um até então obscuro companheiro de armas: Anuar al Sadat. No mesmo ano, mais um fator de perturbação política do Oriente Médio: o Setembro Negro, quando a Legião Árabe do Rei Hussein da Jordânia esmagou muitos efetivos militares da OLP, que então tentara derrubar o monarca e tomar o poder em Amã (capital jordaniana). Derrotados, os militantes palestinos refugiaram-se no sul do Líbano, país então vítima de uma guerra civil entre cristãos e muçulmanos. A partir da região meridional libanesa, a OLP passou a atacar o norte de Israel, que daria início a investidas aéreas contra bases palestinas. Simultaneamente, "uma guerra de atrito", com forte uso de artilharia, ocorria entre o Egito e os israelenses na já citada linha Bar Lev.

Um Novo Conflito: A Guerra do Yom Kipur

Em 1973, tropas egípcias e sírias atacam de surpresa Israel durante o mais sagrado feriado judeu, o Yom Kipur (o Dia do Perdão). Protegidos por uma "cortina" de mísseis antiaéreos, os tanques egípcios até certo ponto anularam a poderosa força aérea israelense e avançaram, perigosamente, em direção ao território do estado judeu. Paralelamente, tropas sírias retomaram as colinas de Golã. Durante o conflito do Kipur, no qual foram usados mais explosivos do que ao longo de toda Segunda Guerra Mundial, as munições dos beligerantes - árabes e judeus - esgotaram-se várias vezes. Os Estados Unidos e a  União Soviética criaram "pontes aéreas" para abastecer seus respectivos aliados: Moscou apoiando os árabes e os Estados Unidos, Israel.

Passado o "efeito surpresa" Israel reverte a situação pois suas forças retomam o Golã e atravessam Suez cercando, sob o comando do general Ariel Sharon, o Terceiro Exército egípcio no Lago Amargo, próximo ao Cairo. Nesse momento, os Estados Unidos e a União Soviética pressionam por um cessar fogo, ocorrendo uma troca de prisioneiros. Israel, assim, viu-se impossibilitado de obter uma vitória esmagadora, o que deu aos árabes a impressão de um empate militar. O presidente Sadat, anos depois, afirmaria que sempre desejara a paz com Israel, mas que qualquer negociação exigiria uma guerra que não terminasse com um desastre militar aos árabes, moralmente abalados pela catástrofe que fora a Guerra dos Seis Dias.

O Início do Processo de Paz

O Partido Trabalhista, que então governava Israel, foi responsabilizado pelos reveses iniciais na Guerra do Yom Kipur. Tal acusação teve como consequência a vitória eleitoral do partido de centro-direita, assumindo o cargo de Primeiro-Ministro Menachem Begin, tido como um líder militarista e antiárabe. Ironicamente, seria ele um dos protagonistas da paz com o Egito. Nos Estados Unidos, o Secretário de Estado Henry Kissinger, acreditando ser viável atrair o Egito para a causa ocidental e adepto de um "equilíbrio de poder" no Oriente Médio, promoveu uma aproximação entre os governos de Israel e do Egito. Para surpresa mundial, Sadat visita Jerusalém - a capital de Israel - e, em 1979, em Camp David - residência de repouso do presidente estadunidense - Israel e Egito firmaram um acordo de paz. Os judeus devolveriam o Sinai, e o Cairo e Jerusalém estabeleceriam relações diplomáticas. O preço pago pela paz foi alto: o Egito foi expulso da Liga Árabe e Sadat seria assassinado por extremistas islâmicos.  Insatisfeitos com a atitude egípcia, a Síria, o Iraque e a Líbia formaram a "frente de rejeição".

Mais Uma Guerra

Em 1982, Israel, buscando anular os ataques palestinos vindos do Líbano, invadiu o "País do Cedro" entrando em Beirute. Em consequência da operação israelense, as lideranças e os militantes da OLP são obrigados a buscar proteção em Tunis. Lamentavelmente, os sírios sabotaram os esforços de paz entre Israel e o Líbano, explodindo a sede da Falange, organização cristã que então ocupava o governo e desejava acordos com Jerusalém. Uma forte pressão internacional forçou Israel a abandonar grande parte do território libanês e o estado judeu limitou-se a manter uma "região de segurança" no sul daquele país, onde as forças judaicas contavam com o apoio de uma milícia cristã - o "Exército do Sul Libanês" - adversária dos muçulmanos e contrária à presença síria no território do Líbano.

As sucessivas derrotas da OLP abrem espaço para o surgimento na Cisjordânia - áreas administradas por Israel - de movimentos muçulmanos que não eram controlados por Arafat: o Hamas e a Jihad Islâmica. Tais entidades promoveram, em meados da década de 80, um levante palestino contra as tropas judaicas denominado de "Intifada". Diariamente, jovens palestinos atiravam pedras e, por vezes, usavam bombas incendiárias (coquetéis Molotov) e metralhadoras portáteis contra os soldados israelenses, que respondiam com balas de borracha e, quando necessário para sua integridade física, com munição real. O conflito tornou-se extremamente desgastante para ambos os lados, principalmente para os militares judeus que se esforçavam para conter o conflito com moderação.

Uma Chance Para a Paz?

No início da década de 90, com o colapso da União Soviética, houve um abrandamento das tensões em todo o planeta, já que a luta ideológica, que caracterizara a guerra fria, deixou de existir. O sistema internacional bipolar deu lugar à projeção imperial dos Estados Unidos da América. No tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, Israel começa a deixar de ser um peão geoestratégico fundamental. Os Estados Unidos, em parte, por razões éticas, pois, como observa Henry Kissinger, Washington legitima suas ações internacionais pelo conceito de "missão sagrada" de defender a democracia, e, também, buscando consolidar sua presença no Oriente Próximo, promovem conversações, em Madri e Washington, entre Israel e os estados árabes. Um dado importante é que Israel só aceitou uma delegação palestina nas conversações, se acoplada à delegação jordaniana. Deve-se ressaltar que Israel sempre foi contrário às negociações multilaterais, ou seja, o governo de Jerusalém dialogando simultaneamente com todos os países árabes. Israel sempre preferiu conversações bilaterais: com cada governo árabe em particular. Tais negociações redundaram em fracasso. Simultaneamente, lideranças israelenses e palestinas se reuniam, em segredo, em Oslo (capital da Noruega). Uma ideia comum ligava os dois adversários: a prosperidade do Oriente Médio pela criação de um mercado comum. Para Israel, isto significaria o primeiro passo para a integração na comunidade econômica mediterrânica, agregando os países do sul da Europa aos da África do Norte e do Oriente Médio. A ideia de um sistema econômico único significaria para Israel, país detentor de tecnologia "de ponta", uma hegemonia econômica em toda a área; para os árabes, serviria como alavanca do desenvolvimento econômico. Tais negociações levaram, em 1993, a um acordo embrionário chamado de a "Paz de Oslo", concretizado simbolicamente pelo aperto de mãos entre o primeiro ministro Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, nos jardins da Casa Branca, em Washington. Na ocasião, Israel aceitava devolver territórios na Cisjordânia e Gaza para uma entidade semiestatal denominada Autoridade Palestina; além disso, Israel e os palestinos combinavam uma série de progressivas conversações sobre o status final da Cisjordânia, as competências da Autoridade Palestina e, por fim, uma definição sobre o controle de Jerusalém.

Para a opinião pública mundial e na consciência de judeus e palestinos, a paz se tornara possível. Israel, pouco a pouco, cumpriu suas promessas, entregando à Autoridade Palestina mais de 40% da Cisjordânia, fase inicial da devolução de 90% da região. Ao mesmo tempo, a Autoridade Palestina adquiria certas atribuições de soberania: uma administração própria e uma força policial comandada por Arafat. Muitas outras questões ainda eram objeto de controvérsias: a distribuição dos recursos hídricos, a possibilidade ou não de um futuro estado palestino e o espinhoso problema do retorno dos palestinos e seus descendentes, que tinham abandonado o território israelense em 1948. Outro agravante para o estabelecimento da paz foi a questão da presença de colonos judeus em certas áreas de Gaza e da Cisjordânia. Num sentido ético, tais judeus tinham sido estimulados pelo governo israelense a se fixarem na região; quanto ao aspecto religioso, eles insistiam que os lugares sagrados para o judaísmo deveriam permanecer sob controle israelense. Exemplo marcante desta celeuma foi a cidade de Hebron, onde se encontra o túmulo de Abrão, patriarca sagrado tanto para o judaísmo quanto para o islamismo. Decidiu-se que 20% da cidade permaneceria sob o domínio israelense e o resto da cidade passaria à soberania da Autoridade Palestina. Esta divisão, até o presente momento, agudiza as tensões na área. Muitas outras localidades ainda conhecem conflitos em razão desta dupla pertinência religiosa, regiões sagradas para ambas as religiões. Do ponto de vista da Polemologia (a ciência que estuda a guerra), o confronto entre árabes e israelenses, além de aspectos econômicos, sociais e políticos, apresenta uma dimensão simbólica que complica as tentativas de paz. Exemplo disso é Jerusalém: uma cidade que, em termos estratégicos, econômicos e políticos, nada significa; entretanto, para o imaginário coletivo (as consciências e opiniões)  judeu e muçulmano apresenta um significado incomensurável. De fato, Jerusalém é a grande cidade sagrada para o judaísmo e a terceira cidade em importância, após Meca e Medina, santificada para o islamismo.

Uma Nova Crise

Desde 1993 as conversações de paz têm conhecido avanços e recuos. O preço da paz ainda é alto: o primeiro ministro Yitzhak Rabin, pelas concessões que fez em Washington, foi vítima de um atentado por parte de um jovem radical israelense; além disso, do lado palestino, o Hamas e a Jihad Islâmica, interessadas em sabotar a reconciliação entre judeus e árabes, vêm promovendo uma série de atentados que revoltam, com razão, a população israelense. Tais atitudes extremistas, principalmente por parte dos palestinos, levou ao poder, em Jerusalém, o partido Likud, menos disposto à transigência, quando da ascensão do primeiro ministro Benjamin "Bibi" Netanyahu. Este, embora favorável à paz, demandava uma segurança mais ampliada para Israel. Fatores políticos internos provocaram sua queda e a eleição do trabalhista Ehud Barak. Representante da centro-esquerda, ele, brilhante general e especialista em questões estratégicas, buscou acelerar o processo de paz, inclusive fazendo concessões até então impensáveis para a mentalidade israelense. No ano 2000, em encontro com Arafat em Camp David, sob o patrocínio do presidente americano William "Bill" Clinton, Barak chegou mesmo a propor o pagamento de indenizações aos refugiados palestinos, a divisão dos recursos hídricos e a conceder a autonomia administrativa dos bairros árabes de Jerusalém à Autoridade Palestina. A flexibilidade de Israel chegou até a aceitação de um futuro estado palestino na Cisjordânia e Gaza. Arafat, pressionado pelos radicais palestinos, não aceitou a proposta israelense. Isto levou a uma radicalização por parte de ambos os lados. Esta teve início quando um policial da autoridade palestina matou um soldado israelense sem qualquer razão aparente. O general Ariel Sharon, hoje um dos mais importantes líderes políticos israelenses, temendo que as dádivas israelenses fossem excessivas, buscou mostrar que Jerusalém é, como de fato o é, a capital de Israel, visitando uma área considerada sagrada pelos muçulmanos, a "Esplanada dos Templos", onde se situam duas importantes mesquitas, a de Omar e a de el Aqsa. Jovens muçulmanos radicais e que, por culpa da ineficiência e da corrupção da Autoridade Palestina, não foram beneficiados pelos dividendos da paz, continuando a viver em condições materiais precárias, iniciaram a "Intifada el Aqsa", voltando a agredir soldados e civis israelenses. Um dado que abalou a opinião pública mundial é que as organizações palestinas têm usado o idealismo de crianças para comover as consciências de todos os povos. De fato, meninos e meninas são estimulados a enfrentar as tropas israelenses para provar "a crueldade das forças judaicas". Inclusive, os familiares de tais ingênuas vítimas recebem contribuições em dinheiro para oferecer seus filhos como mártires da causa palestina. Apesar das tentativas de pacificação da área, como, por exemplo, o encontro entre Clinton, Barak e Arafat em Sharm el Sheik, no Egito, a violência, até o momento, prossegue. Esses conflitos, além de ameaçarem o processo de paz, abalam os governos árabes moderados da região: o rei Abdullah II da Jordânia, e o presidente egípcio Hosni Mubarak.

 


Ver Próximo Artigo: História da Uganda
 
Ver Artigo Anterior: Eleições na França
 


 

Aulas de Física
Nova aula
Introdução à Física – índice Vestibular