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O estresse infantil
 

O estresse infantil

estresse

Os adultos, que tanto trabalham e tanto se preocupam em sustentar o lar e cuidar da família, acreditam que ser criança é ser feliz. Afinal, as crianças não trabalham, não pagam contas nem tem muitas responsabilidades. Que preocupações podem ter?

Muitas! Sabe-se que as crianças e os adolescentes têm várias preocupações e que sofrem de estresse.

O estresse é uma consequência das exigências feitas a nós e de nossa capacidade de resolvê-las. Estresse é o desgaste físico, mental e emocional resultante do esforço que fazemos para atender a essas exigências.

Crianças e adolescentes de nossa geração têm motivos de sobra para se sentirem estressados. Infelizmente, a maioria dos pais e professores não está ciente do que preocupa e angustia os jovens. Pesquisa realizada nos Estados Unidos pela Associação Norte-Americana de Psicologia entrevistou 1.206 crianças, que tinham de 8 a 17 anos. Quase 50% delas revelaram que seus estudos são uma fonte de estresse. O alarmante é que apenas 33% dos pais dessas crianças estavam cientes desse fato. A pesquisa também revelou que 30% dos entrevistados se preocupam com a situação financeira da família, mas que apenas 18% dos pais sabiam disso.

Outro dado da pesquisa: 29% dos adolescentes se preocupam com os desafios que enfrentarão após se formarem no colégio. Qual a porcentagem de pais que tinham conhecimento dessa preocupação? Apenas 5%! A pesquisa também demonstrou que 42% dos adolescentes sofrem de dores de cabeça e que 49% deles têm dificuldades em dormir à noite. Quantos pais estão a par desses problemas físicos? Só 13%.

A pesquisa revelou não apenas que muitas crianças e adolescentes têm muitas preocupações, mas que o estresse está lhes afetando a saúde. A Associação Norte-Americana de Psicologia alerta: “Nossos estudos indicam que os pais não estão cientes do estresse sofrido pelos filhos. A maioria dos pais não sabe o que deveria saber a respeito dos comportamentos de risco dos filhos. A percepção dos pais quanto ao uso de drogas, atividade sexual e depressão dos filhos está aquém da realidade. O mesmo parece ser verdadeiro em relação ao estresse”.

Fontes de estresse

O estresse é um mal que pode afetar qualquer pessoa – adulto, adolescente ou criança. Quando uma criança está no Jardim de Infância, é o fato de estar longe dos pais que a preocupa. Quando a criança é maior, principalmente quando se torna adolescente, muda a origem do estresse. São as pressões acadêmicas e sociais – principalmente o desejo de ser aceito socialmente – que tanto preocupam os jovens. Por que as crianças de hoje vivem tão estressadas? Há vários motivos. O maior deles é o isolamento social crescente. Nunca houve tantos divórcios e as pessoas nunca viveram tão sozinhas. Um número cada vez menor de pessoas faz parte de comunidades.

Além disso, as crianças se sentem constantemente pressionadas. Há diversas fontes de pressão – acadêmica, familiar, social, etc. Às vezes, é a própria criança ou adolescente que se cobra, quando exige demais de si própria.

O estresse sofrido pelas crianças é intensificado por fatores externos, que estão além de seu alcance. Por exemplo, os filhos ficam estressados quando há problemas no lar. Também sofrem quando a família passa por dificuldades financeiras ou quando alguém fica muito doente. Ainda ficam estressados quando presenciam brigas entre os pais. De fato, estes precisam tomar cuidado para que os filhos não absorvam suas ansiedades, preocupações e problemas.

Outro motivo pelo qual as crianças vivem tão estressadas é que muitas têm a percepção de que o mundo é um lugar muito perigoso. As notícias na televisão frequentemente relatam tragédias e episódios de violência. Muitas crianças são expostas a informações e a imagens que as perturbam profundamente. Notícias sobre a violência urbana, os desastres naturais, as guerras e o terrorismo fazem com que sintam que vivem em um mundo extremamente perigoso e passam a temer por sua segurança e pela segurança daqueles que amam. É importante que as crianças e adolescentes passem menos tempo assistindo à televisão, mesmo a programas mais sérios como o noticiário, e que os pais conversem com elas sobre notícias ou imagens que possam ser perturbadoras ou assustadoras. É fundamental que os filhos tenham condições de expressar seus pensamentos, sentimentos, receios e medos para os pais.

Há outros motivos para tanto estresse – as realidades indesejadas da vida: dificuldades, divórcios, doenças, falecimentos, etc. Quando situações graves se somam às pequenas preocupações do dia a dia, as crianças podem se sentir extremamente estressadas. Mesmo o divórcio mais amigável é uma experiência extremamente estressante para a criança, pois a estrutura básica de sua vida, a família, está sendo rompida. Pais que se separam nunca devem colocar os filhos em uma posição em que sejam obrigados a escolher qual dos dois preferem. Outra fonte de estresse para uma criança é o abuso no lar, seja ela vítima ou testemunha dele. É também extremamente prejudicial para ela viver com pai ou mãe que seja violento ou dependente de álcool ou drogas.

O que causa estresse em adolescentes?

À medida que as crianças crescem e se tornam adolescentes, aumentam suas preocupações e estresse. A adolescência costuma ser uma fase difícil, pois o jovem deixa de ser criança, mas também não é adulto. Adolescentes passam a se preocupar mais com a escola, pois o vestibular se transforma em uma realidade iminente e isso significa que precisam pensar na carreira que pretendem seguir. Adolescentes também têm preocupações sociais – os amigos, a namorada ou o namorado. Além isso, muitos sentem estresse devido à puberdade – às mudanças que ocorrem no corpo.

Os jovens também ficam estressados com as pressões sociais, pois querem ter muitos amigos e namoradas e ser aceitos socialmente. Sintomas físicos ajudam a indicar se o adolescente está demasiadamente estressado. O estresse consome as substâncias químicas do cérebro que regularizam suas emoções e o estresse é um problema que se manifestará física e mentalmente, prejudicando o dia a dia do adolescente.

Sinais e sintomas

Nem sempre é fácil reconhecer que uma criança ou adolescente está muito estressado. Mas há certas mudanças de comportamento que servem como indicação: mudanças de humor repentinas, mau comportamento inexplicável, alterações no padrão de sono, perda involuntária de urina durante o sono, etc.

Às vezes, o estresse se revela de outras formas físicas: a criança passa a sentir dores de cabeça ou de barriga. Em alguns casos, começa a ter dificuldades em se concentrar e em fazer as lições. Há crianças que, quando estressadas, se tornam distantes e isoladas – começam a despender tempo demais sozinhas.

Quando a criança ainda é pequena, há sinais que revelam que ela está reagindo ao estresse. Consistem na adoção de novos hábitos: ela passa a chupar o dedo, a enrolar mechas de cabelo com os dedos e a enfiar o dedo no nariz. Crianças que já são um pouco maiores revelam o estresse por meio de mudanças de comportamento: passam a mentir, a agredir os mais fracos (veja o artigo do 10emtudo a respeito do bullying) e a se comportar de forma hostil em relação às figuras de autoridade que a rodeiam. Uma criança que sofre de estresse pode ter pesadelos, tornar-se apegada demais aos pais, ter uma reação desproporcional a qualquer pequeno problema e sofrer uma mudança drástica em seu desempenho acadêmico.

Os efeitos colaterais do estresse

Estresse demasiado tende a ter efeitos colaterais. Enfraquece o sistema imunológico e resulta em exaustão. Uma pessoa estressada costuma ter mais dificuldades em lidar com os altos e baixos da vida. Se o estresse não for contido e reduzido, pode levar à depressão, ao desinteresse, à monotonia, a problemas emocionais, a úlceras e à síndrome do intestino irritável. Se a criança ou o adolescente não aprender a líder efetivamente com o estresse, tal condição pode se tornar crônica.

O cérebro e seus neurotransmissores

No cérebro, os neurotransmissores são responsáveis pelo envio e recebimento de mensagens entre células. Há dois tipos de neurotransmissores: os mensageiros “felizes” e os “tristes”. Os felizes são constituídos por serotonina, noradrenalina (noraepinefrina) e dopamina.

A serotonina regula o “relógio do corpo”: o sono e o apetite.

Quando há muito estresse, em geral, é o primeiro mensageiro que falha, causando insônia. É importante ressaltar que, normalmente, os indivíduos depressivos têm níveis baixos de serotonina no sistema nervoso central.

A noradrenalina proporciona alegria e energia. É um mensageiro que influencia o humor, a ansiedade, o sono e a alimentação. A falta desse neurotransmissor resulta em um decréscimo de energia e disposição.

A dopamina é o neurotransmissor responsável pelo centro de prazer no cérebro. A falta dessa substância resulta na diminuição de prazer e de motivação.

A falta desses neurotransmissores causa uma queda na tolerância ao estresse. Uma dieta precária, a falta de sono regular e o sedentarismo fazem com que o corpo tenha mais dificuldade em reabastecer essas substâncias quando estão esgotadas.

Reduzindo o estresse

O estresse infantil deve ser motivo de preocupação para pais, professores e pediatras. Como podemos ensinar crianças e adolescentes a lidar com o estresse?

Uma dieta saudável e balanceada, um sono tranquilo e regular e a prática de exercícios físicos são elementos necessários para combater o estresse. Crianças sedentárias, que não dormem o suficiente e comem apenas o que querem, estão muito sujeitas ao estresse.

Mas o combate ao estresse infantil também depende em grande parte dos pais. Estes devem fazer o possível para evitar que os filhos se sintam isolados e solitários; é importante que os ajudem a formar laços sociais. De fato, as crianças deveriam passar mais tempo com seus amigos e menos tempo sozinhas, assistindo à televisão ou brincando no computador.

Crianças e adolescentes também não devem ficar acordados até altas horas da noite. O sono é essencial para seu crescimento e desenvolvimento. Além disso, quando há falta de sono, o corpo e o cérebro não funcionam tão bem. Quando as pessoas não dormem o suficiente, tornam-se mais emotivas e impacientes e qualquer pequeno problema ou chateação transformam-se em uma fonte de estresse. É importante que pais e professores tenham um canal de comunicação constantemente aberto com filhos e alunos. A criança ou o adolescente jamais deve sentir que não tem ninguém com quem conversar. Os pais devem demonstrar interesse pelos sentimentos dos filhos e ajudá-los a lidar com seus receios, medos e ansiedades. Frequentemente, uma criança imagina que um problema é muito maior do que realmente é, e precisa de um adulto para tranquilizá-la.

É importante também minimizar a exposição de crianças à violência virtual. Hoje, há violência nos programas de televisão, filmes e videogames.

Minimizar o estresse de uma criança não significa esconder dela as realidades do mundo. É fundamental que os pais conversem com os filhos a respeito dos problemas da vida – dificuldades financeiras, divórcios, pessoas e situações perigosas, doenças e falecimentos. A Associação Norte-Americana de Psicologia acredita que quando os pais ocultam informações importantes dos filhos, estes pressupõem o pior – imaginam a situação mais trágica possível. Portanto, a decisão de revelar algo para uma criança requer sabedoria e discernimento. Obviamente, quanto mais amadurecida a criança, maior a chance de ela conseguir entender e aceitar as realidades da vida.

Por fim, é importante transmitir às crianças que é normal que sintam um pouco de estresse na vida. Sentir-se nervoso, chateado, assustado, ansioso, solitário, é apenas parte dela. A criança deve saber que praticamente todos os seres humanos – crianças e adultos – têm preocupações e ansiedades.

A maioria dos pais tem a habilidade de ajudar a reduzir o estresse dos filhos. Entretanto, se o estresse está afetando seu comportamento em casa e na escola, torna-se necessário procurar a ajuda de um profissional qualificado. Nesse caso, os pais devem consultar um médico ou psicólogo confiável.

Adultos estressados

Por maior que seja o nível de estresse das crianças, geralmente não é nada comparado ao dos adultos. De acordo com um estudo feito pela Associação Norte-Americana de Psicologia, 47% dos adultos nos Estados Unidos têm dificuldades para dormir: permanecem deitados sem conseguir conciliar o sono; 45% se sentem constantemente irritados ou nervosos; 43% sofrem de fadiga; 40% sofrem de falta de interesse, motivação e energia; 34% frequentemente sentem dores de cabeça; 34% se sentem tristes ou deprimidos; 32% têm vontade de chorar; e 27% sofrem dores de estômago ou indigestão resultantes do estresse.

Talvez as crianças de hoje em dia se sintam estressadas porque convivem com adultos que estão quase sempre extremamente estressados.

 


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