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Guerra no Afeganistão
 

Guerra no Afeganistão

Barack Obama, o atual presidente dos Estados Unidos, afirmou repetidamente durante as eleições presidenciais que a guerra no Iraque, que custou a vida de mais de 4.000 soldados norte-americanos, era desnecessária. A guerra necessária, afirmou Obama, era a do Afeganistão, justificada pelos ataques terroristas perpetrados no dia 11 de setembro de 2001 pela organização terrorista Al-Qaeda, cuja base de treinamento e refúgio se localiza no Afeganistão.

Após ser eleito, Barack Obama enviou mais 17.000 tropas norte-americanas para lutar no Afeganistão. O presidente alertou que se o governo afegão cair nas mãos do regime Talibã, o Afeganistão voltará a ser "uma base para terroristas que querem matar o maior número [de americanos] possível". Em maio, Obama apontou um novo general, Stanley McChrystal, para comandar as tropas norte-americanas no Afeganistão. Agora, porém, o novo general está solicitando o envio de mais soldados - um pedido que Obama hesita em atender.

O pedido de McChrystal está causando polêmica nos Estados Unidos, pois, de acordo com o general, a vitória norte-americana na guerra do Afeganistão é incerta e a situação geral do conflito está se deteriorando, pois os insurgentes afegãos vêm resistindo aos ataques das tropas norte-americanas. O general não especificou quantos soldados adicionais ele precisará; acredita-se que sejam 30.000. Talvez mais preocupante seja o fato de o general não garantir vitória mesmo se o governo de Obama enviar mais tropas para o Afeganistão. Além disso, McChrystal admite que as forças de segurança afegãs não possuem a capacidade de derrotar o regime Talibã sem a participação das forças armadas dos Estados Unidos.

O presidente Obama se encontra numa situação política bastante delicada. Durante o governo de Bush, milhares de soldados norte-americanos foram mortos e feridos no Iraque - algo que fez com que a popularidade de Bush, e de seu partido, o partido Republicano, despencasse. De fato, a eleição do democrata Barack Obama foi fruto não apenas da terrível recessão norte-americana, mas também da profunda insatisfação da população com a guerra no Iraque. Esta resultou no sacrifício de muitas vidas norte-americanas e iraquianas, e pouco se obteve em troca, além da queda e subsequente execução do ditador iraquiano, Saddam Hussein. Barack Obama teme, com razão, que a guerra no Afeganistão prejudique o seu governo, frustre as suas ambições de promover profundas reformas nos Estados Unidos e cause com que ele não seja reeleito.

O que Barack Obama pretende fazer a respeito do conflito no Afeganistão permanece um enigma. É possível que ele envie mais tropas e arrisque uma terrível derrota, que pode custar a vida de milhares de soldados norte-americanos. Vale lembrar que durante a década de 1980, a União Soviética, mesmo no auge de seu poder, foi derrotada por rebeldes afegãos. O Afeganistão foi para a União Soviética o que o Vietnã foi para os Estados Unidos: uma guerra em que uma superpotência foi derrotada por guerrilheiros determinados a não se deixarem conquistar por um inimigo quase infinitivamente mais poderoso.

Porém, pode-se afirmar que a atual guerra no Afeganistão pode ser justificada. É inegável que o regime Talibã fomenta o terrorismo internacional e ameaça o mundo, inclusive nações islâmicas moderadas. Mesmo Barack Obama, um democrata liberal, acredita na justiça dessa guerra. Porém, como ele próprio afirmou à rede de televisão NBC: "Não me interessa estar no Afeganistão apenas por estar no Afeganistão ou para não perder a cara...Até que eu esteja satisfeito que temos a estratégia certa, eu não vou enviar algum jovem para lá - além dos soldados que já temos lá".

É evidente que a administração norte-americana não tem certeza sobre o que fazer a respeito da guerra contra os Talibãs. É possível que Obama desconsidere o pedido do general McChrystal e decida reduzir ou mesmo retirar as tropas norte-americanas do Afeganistão. Mas Obama terá problemas em justificar tal decisão, pois ele próprio afirmou, repetidamente, que a guerra no Afeganistão é vital para a segurança dos Estados Unidos. Qualquer que seja a decisão de Obama, será uma enorme aposta política, que pode ter consequências drásticas, não apenas para seu governo, mas para o país como um todo. O atual vice-presidente norte-americano, Joe Biden, apóia a redução de tropas norte-americanas no Afeganistão. Ele acredita que os Estados Unidos devem utilizar sua tecnologia militar para atingir o Al-Qaeda, ao invés de permanecer num conflito com o objetivo de criar algo que nunca existiu: um estado afegão forte e estável.

Barack Obama é um político carismático e ambicioso, que prometeu transformar a sociedade norte-americana. No âmbito da política externa, ele já tomou decisões polêmicas e impopulares: cancelou um plano de instalar um sistema de radar e interceptores antimísseis na Polônia e na Checoslováquia e anunciou que os Estados Unidos engajariam em negociações diretas com o Irã, apesar de o regime iraniano continuar a desafiar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que exige que o país desista de suas ambições nucleares.

Não há dúvida de que os norte-americanos estão cansados de guerra. O país já passa por vários problemas: recessão, desemprego, um déficit altíssimo. É inegável que Obama herdou muitos problemas que foram causados por administrações anteriores a sua. Mas a guerra no Afeganistão, apesar de ter sido iniciada pelo governo Bush, é um conflito que Obama chamou de "necessário". Ao mesmo tempo, Obama está ciente do que uma guerra impopular pode destruir sua presidência. Afinal, Bush era inicialmente um presidente popular, mas foi perdendo apoio de seu povo devido à guerra no Iraque. Pode-se até afirmar que a candidatura de Obama foi muito ajudada pelas consequências calamitosas do conflito no Iraque, que custou mais de 4.000 vidas norte-americanas e mais de 1 trilhão de dólares para os cofres de um país que hoje luta contra a recessão e o desemprego. Se a guerra no Afeganistão for um "replay" da guerra no Iraque, Obama provavelmente não será reeleito, e seus planos de mudar a América não se concretizarão.

Quando Obama estava concorrendo para a presidência, a guerra no Iraque parecia ser uma armadilha: uma lama movediça militar e política que estava afogando o governo Bush. Já o conflito no Afeganistão parecia ser justo, sensato e vencível. Desde então, muito mudou. Parece que os Estados Unidos triunfaram no Iraque: a guerra não foi um segundo Vietnã, como previsto por muitos analistas políticos e jornalistas. Mas, ao mesmo tempo, a violência no Afeganistão aumentou, custando a vidas de muitos soldados norte-americanos. Não é surpreendente que a maioria da população norte-americana desaprova o envolvimento de seu país no Afeganistão. De acordo com uma recente pesquisa, menos da metade da população norte-americana apoia a guerra no Afeganistão. Isto é, inegavelmente, um problema para o governo de Obama, pois não é apenas no campo de batalha que uma guerra é vencida ou perdida. O resultado de uma guerra muito depende de apoio popular.

Um fator que pode causar com que Obama desista do conflito no Afeganistão é a corrupção do atual governo afegão. Isto é motivo de alarme para a Casa Branca, pois o general McChrystal afirmou que para os Estados Unidos terem sucesso no Afeganistão, é necessário adquirir a confiança da população afegã. Mas isto dificilmente será realizado, pois os afegãos se opõem ao governo corrupto do atual presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Portanto, por mais que Obama acredite que a guerra no Afeganistão seja justa e necessária, ele hesitará em enviar mais soldados norte-americanos para lutar por um governo corrupto que é rejeitado por seu próprio povo.

O Presidente Obama foi eleito para ajudar o povo que o elegeu - o povo norte-americano. A última coisa que seu governo precisa é de um outro Vietnã: um conflito que resultou na morte de dezenas de milhares de soldados norte-americanos, que causou divisões e conflitos na sociedade norte-americana e que custou quantias exorbitantes ao cofre dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, uma retirada norte-americana do Afeganistão pode fortalecer a organização Al-Qaeda. Teme-se que se os norte-americanos se retirarem do Afeganistão e voltarem para os Estados Unidos, eles serão seguidos pelos terroristas do Al-Qaeda. Um cenário ainda mais assustador: após a retirada norte-americana do Afeganistão, o regime Talibã invade o Paquistão e toma posse de armas nucleares. Pior que uma outra guerra do Vietnã seria uma repetição dos atentados de 11 de setembro, perpetrados por terroristas que desta vez possuem - e que estão dispostos a utilizar - armas de destruição em massa.

 


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