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Ética e Clonagem
 

Ética e Clonagem

Numa sexta-feira, 27 de dezembro de 2002, a empresa Clonaid anunciou o nascimento do primeiro bebê clonado do mundo. O anúncio foi feito por Brigitte Boisselier, diretora da Clonaid, que informou que o clone – uma menina – é uma cópia idêntica de sua mãe. O lugar onde a menina nasceu e onde se encontra não foi revelado. Boisselier referiu-se ao bebê como Eva (Eve) e prometeu o nascimento de outros clones para as próximas semanas.

O mundo reagiu de forma céptica ao anúncio por vários motivos, entre eles a própria seriedade da organização. A Clonaid foi criada por uma seita religiosa chamada Raelianos, que defende a ideia de que a vida na Terra foi originada por extraterrestres. O líder espiritual da seita é chamado Rael, um jornalista francês que afirma ter sido visitado há 30 anos por alienígenas verdes, em um vulcão na França. Rael afirma que esses alienígenas revelaram-lhe que a raça humana é descendente de clones trazidos ao Planeta há 25.000 anos. 


Rael

A seita afirma ter cerca de 40.000 membros pelo mundo.

Apesar de ter anunciado o nascimento do clone, falta à Clonaid  comprovar  suas afirmações. Ninguém até hoje conseguiu sequer duplicar um cachorro ou um macaco com sucesso; por isso, os cientistas estão em dúvida sobre a capacidade da Clonaid de clonar um ser humano.

Agora, a Clonaid tem de comprovar suas alegações e demonstrar que a menina clonada e sua mãe são geneticamente idênticas.  Podem ser realizados testes com amostras de sangue e saliva para comparar o DNA de ambas, mãe e filha. Para que os resultados desses testes sejam confiáveis, autoridades independentes, de preferência dois ou mais grupos, devem coletar as amostras e realizar todos os exames necessários.

Apesar da pouca credibilidade, o anúncio surpreendente da Clonaid novamente trouxe à tona a discussão sobre ética e clonagem.

Com raras exceções, a comunidade científica mundial acredita que a clonagem de seres humanos com finalidades reprodutivas - isto é, a duplicação de uma célula de uma pessoa para que ela origine uma réplica genética - é moralmente errada. Cientistas alertam sobre os dilemas morais e riscos que a sociedade terá que enfrentar caso venha a permitir a clonagem humana. Por exemplo, um bebê clonado pode nascer aparentemente saudável, mas vir a desenvolver problemas físicos posteriormente ou mesmo falecer precocemente.

Porém, muitos cientistas, apesar de se oporem à produção de réplicas humanas, lutam para desenvolver a clonagem terapêutica - experiência na qual embriões são duplicados para coletar células que podem ser transformadas em qualquer outro tipo de célula do corpo humano. Médicos e cientistas acreditam que a clonagem terapêutica pode levar à cura de diversas doenças, como o Mal de Parkinson, Alzheimer e outras patologias que, hoje, afligem milhões de pessoas. Nesse caso, o assunto de ética e clonagem é muito menos polêmico.

Porém, existem preocupações mesmo quanto à permissibilidade da clonagem terapêutica, pois ela é similar à clonagem humana. Os laboratórios terão dificuldade em evitar que seus cientistas realizem clonagens com fins reprodutivos. O motivo disso é que a partir do momento em que um laboratório realiza a clonagem de embriões, torna-se muito fácil duplicar seres humanos. O recente anúncio da Clonaid, apesar de sua veracidade ser duvidosa, é prova de que muitos laboratórios almejam realizar clonagens humanas.

Pessoas a favor da clonagem terapêutica alegam que o governo deveria permitir a prática e regularizar a clonagem humana. Em 2002, o Congresso Americano tentou votar uma lei banindo a prática, que, no entanto, não foi aprovada pelo Senado. Na Inglaterra, a clonagem reprodutiva foi proibida, mas a terapêutica é permitida.

A clonagem humana - mesmo usada apenas para fins terapêuticos - é certamente um assunto que gera bastante polêmica. A discussão a respeito de ética e clonagem não é simples. Por um lado, se os cientistas conseguirem desenvolver essa técnica, ela trará inúmeros benefícios para a humanidade - inclusive a cura de doenças e uma maior longevidade. Por outro lado, deve-se questionar se esses benefícios justificam os riscos de se permitir experiências que possam ser facilmente utilizadas com más intenções - principalmente por motivos puramente financeiros. A Clonaid, por exemplo, afirma ter 2.000 pessoas à espera para serem clonadas ao preço de 200.000 dólares cada.

A Clonaid não é a única organização que tenta clonar pessoas. O médico italiano Severino Antinori havia declarado que clonaria um ser humano até novembro de 2002. Contudo, Antinori não conseguiu realizar seu objetivo. Outros cientistas que também tentaram clonar seres humanos afirmam que não conseguiram nem mesmo replicar um embrião. Portanto, até prova em contrário, acredita-se que o anúncio da Clonaid é falso e não passa de uma jogada de marketing.

 


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