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Eleições na França
 

Eleições na França

O mundo se chocou com os resultados do primeiro turno das eleições na França. A suposição anterior às eleições era de que o segundo turno, disputado pelos dois principais candidatos, ocorreria entre Lionel Jospin e Jacques Chirac, não entre Chirac e Jean-Marie Le Pen.

Chirac, o atual presidente da França, foi o mais votado com 19.9% dos votos, a menor porcentagem já recebida por um vencedor no primeiro turno de eleições na França. Le Pen, um extremista de direita, veio em segundo lugar com 16.9% dos votos, derrotando o atual primeiro-ministro socialista Jospin, que acabou em terceiro com 16.2% dos votos. Devido a estes resultados, Jospin anunciou sua renúncia à política, e vai deixar o cargo de primeiro-ministro no próximo dia 6 de maio, um dia após as eleições.

Neste artigo, discutiremos os resultados do primeiro turno de eleições na França.

O Sistema Político na França

O atual sistema político na França é conhecido como a Quinta República, uma democracia multipartidária na qual o presidente e o primeiro-ministro governam lado a lado. O presidente é eleito pelo voto direto e indica o primeiro-ministro. O mandato de um presidente é de 5 anos e concentra-se na política internacional e defesa nacional, enquanto o primeiro-ministro concentra-se nos assuntos internos e na política econômica. 

Em 21 de abril ocorreu o primeiro turno das eleições presidenciais de 2002. O segundo turno ocorrerá no domingo, dia 5 de maio.

Le Pen

Aos 73 anos de idade, Jean-Marie Le Pen é líder da Frente Nacional que apóia o racismo, o antissemitismo, além de visões políticas extremas. Le Pen é considerado um neofascista.

Esta é a quarta tentativa de Le Pen à presidência da França. Ele recebeu 0,74% dos votos nas eleições de 1974, e 14% em 1988; em 1995 conquistou 15% dos eleitores. Em  2002, obteve o segundo lugar no primeiro turno das eleições e concorrerá com Jacques Chirac à presidência do país.

Jean-Marie Le Pen promete que, se chegar à presidência, vai retirar o país da União Europeia - e que "a França vai voltar a ser somente dos franceses". Ameaçou também enviar os imigrantes de volta "para casa", culpando-os pelo desemprego e criminalidade no país e comparando o ato de imigração a uma invasão. Le Pen vai ainda mais longe ao declarar que a fonte de todos os problemas em seu país está ligada à imigração.

Somado a sua xenofobia está também o fato de Le Pen ser um antissemita e afirmar que o Holocausto (a exterminação de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial) é um mero detalhe da história.

Eleitores e o Descontentamento Francês

16 candidatos disputaram a corrida presidencial na França.

30% dos eleitores nem mesmo compareceram às urnas, marcando o mais baixo número de participantes em uma eleição presidencial desde a implantação da Quinta República no país, em 1958. Acredita-se que esta ausência prejudicou principalmente o primeiro-ministro Jospin. Muitos eleitores permaneceram em casa, enquanto outros votaram não por convicção, mas sim por protesto.

A reação dos eleitores é atribuída à violência na França. Como primeiro-ministro, Jospin foi amplamente criticado ao fracassar em função das drásticas atitudes tomadas diante da crescente criminalidade. O sentimento de insegurança é muito forte e a violência urbana é terrível, com uma taxa de criminalidade que aumentou em 10% em 2001.

Porém muitos dizem que a vitória da extrema-direita foi resultado da plataforma de lei e ordem de Le Pen, numa época em que um número cada vez maior de franceses vem se sentindo ameaçados pela violência e desemprego.

A Reação Francesa

Com os resultados do primeiro turno, milhares protestaram contra Le Pen por todo o país. Muitos políticos franceses, tanto dos partidos de esquerda como de direita, uniram-se para apoiar Chirac. As pessoas estão se organizando para evitar que Le Pen alcance um número significante de votos no turno final das eleições presidenciais. Não que o povo acredite que ele consiga vencer, mas é importante que não receba uma porcentagem substancial de votos, principalmente para a imagem e para o moral da França.

Além disso, Jacques Chirac se recusou a enfrentar Le Pen em um debate televisivo, uma tradição na política francesa.

As Reações Mundiais

Líderes de toda a Europa estão expressando sua preocupação com o fato dos neofascistas terem conquistado o segundo lugar na primeira fase das eleições. O Chanceler alemão Gerhard Schroeder declarou: "É realmente lamentável que a extrema-direita tenha se tornado tão forte". Em Londres, um porta-voz do primeiro ministro britânico Tony Blair afirmou que o resultados foram "muito tristes".

Líderes de todo o continente estão preocupados que isto possa  significar o surgimento de um comportamento racista ou xenofóbico. Os níveis de antissemitismo não haviam sido tão altos desde a Segunda Guerra Mundial.

O presidente da União Europeia, Josep Pique disse que tal situação "Opõe-se completamente à construção da Europa."

Conclusão

É altamente duvidoso que Le Pen consiga ser eleito Presidente da França. Contudo, conseguir chegar ao segundo turno e derrotar o atual primeiro-ministro não pode ser tomado simplesmente como um ato de protesto. Na verdade, uma parte da população francesa é contra os imigrantes. O sentimento xenofóbico, anti-imigrante e de extrema-direita está sendo abertamente expressado na política francesa. Além disso, a votação de Le Pen pode simbolizar uma tendência política de extrema-direita sendo manifestada nos países europeus. Sucessos eleitorais recentes de candidatos com ideais similares vêm ocorrendo no continente, tais como Pim Fortuyn na Holanda, Jörg Haider na Áustria, Pia Kjaersgaard na Dinamarca e Umberto Bossi na Itália.

Pesquisas de opinião estão prevendo que Chirac vencerá a eleição em 5 de maio com 80% dos votos e Le Pen receberá 20%. Porém, estas pesquisas previram anteriormente que Chirac e Jospin seriam os candidatos que disputariam o segundo turno. Le Pen poderá se sair melhor que o previsto. Mesmo conquistando apenas 20% dos eleitores franceses, tal resultado já reflete o atual sentimento político na França. Há uma preocupação de que seus seguidores políticos possam ser eleitos para a legislatura francesa, quando as eleições ocorrerem em junho.

O sucesso político de Le Pen danificou a imagem da França frente à grande parte do mundo, e dependendo dos resultados do segundo turno de eleições, este dano pode se agravar ainda mais. 

 


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