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Como funciona o FMI
 

Como funciona o FMI

Neste artigo, veremos como funciona o FMI - suas principais funções e objetivos.

Como funciona o FMI

Para que uma pessoa possa comprar ou vender produtos estrangeiros, ela precisa trocar sua moeda nacional pela(s) moeda(s) estrangeira(s). Por exemplo, você é brasileiro e quer comprar um carro norte-americano que custa US$10.000. Para poder pagar pelo carro, você precisa trocar a moeda brasileira (reais) por dólares norte-americanos.

Toda moeda, por exemplo, o real ou o peso mexicano, tem um valor em relação a outras moedas - este valor é o que chamamos de taxa de câmbio. O comércio exterior cairia drasticamente se não existisse a possibilidade de troca entre as várias moedas e a manutenção de taxas de câmbio relativamente estáveis. Usando o exemplo acima, se você não conseguisse trocar seus reais por dólares, você nunca poderia comprar o carro de $10.000. Se as taxas de câmbio subissem muito, você pensaria duas vezes antes de adquiri-lo. As recentes variações do real o comprovam: se 3 reais são equivalentes a 1 dólar, então o carro lhe custaria R$ 30.000. Mas caso o real flutue muito e, uma semana depois, 4 reais forem equivalentes a 1 dólar, então o carro lhe custaria R$ 40.000.

O Fundo Monetário Internacional foi criado há mais de 50 anos para permitir que as moedas fossem trocadas livre e facilmente entre os países membros da instituição. Hoje, o FMI procura assegurar que seus membros sempre tenham reservas em moeda forte que lhe permitam continuar comercializando com outras nações do mundo.

Vamos agora imaginar a seguinte situação, para entender a necessidade de existência do FMI:

Você é um empresário que vive no Brasil e o país está sofrendo com a falta de reservas em moeda forte. Não existe o FMI e você não consegue encontrar alguém disposto a trocar seus reais por dólares.

Há uma forte razão pela qual você precisa de dólares norte-americanos. Você importa chips de computadores dos Estados Unidos, monta os computadores em sua fábrica brasileira e os vende pelo país. Mas a fábrica norte-americana cobra um preço em dólar pelos chips e não aceita pagamento em reais. A razão é evidente: os preços de produtos e serviços nos Estados Unidos são todos cotados na moeda nacional, isto é, em dólares norte-americanos, e, portanto, um norte-americano não tem motivos para aceitar reais. Você entende a recusa do produtor de chips. Você, por exemplo, não aceitaria rúpias, a moeda da Índia, como pagamento para seus computadores. Você que vive no Brasil quer ser pago em reais ou em dólares, por serem moeda forte.

Como não consegue encontrar alguém disposto a trocar seus reais por dólares, você decide tentar trocar seu dinheiro no banco. Ao chegar lá, descobre que o banco também não tem dólares. Você é informado pelo gerente que os bancos brasileiros somente adquirem dólares norte-americanos quando o país exporta produtos para os Estados Unidos. Você sabe que o Brasil importa mais do que exporta para os Estados Unidos e que todos os dólares que chegam ao país, resultantes de vendas para os norte-americanos, já foram usados por outros que queriam importar produtos, assim como você deseja fazer, agora.

Quanto mais o Brasil exportar para os Estados Unidos, mais dólares entrarão no país, pois os norte-americanos utilizarão dólares para pagar pelos produtos brasileiros. O mesmo vale para os investimentos: quando os norte-americanos investem seu dinheiro para comprar ações brasileiras, mais dólares são trazidos ao País e trocados por reais.

Muitas vezes um país não exporta tanto quanto poderia em virtude de suas leis e regulamentações governamentais. O Brasil, por exemplo, é o único país do mundo que impõe taxas sobre suas próprias exportações. Vamos imaginar, por exemplo, que o Brasil está tentando exportar cerveja para os Estados Unidos ao preço de 1 dólar por lata de cerveja. Porém, há um imposto de exportação de 10% e, portanto, um norte-americano terá que pagar 1dólar e 10 centavos por lata. Suponhamos que o mesmo produto seja vendido pelo México, também por 1 dólar, porém sem esse imposto de exportação. O custo final para o norte-americano, pela mesma cerveja se viesse do México, seria 1 dólar. Obviamente, o norte-americano preferirá comprar cerveja do México e não do Brasil, pois estaria pagando 1 dólar, ao invés de 1 dólar e 10 centavos. Podemos ver através desse exemplo que um imposto pode ser decisivo na capacidade de um país de exportar.

Além disso, certas leis do governo podem acabar desencorajando os investidores a trazer dólares (ou outras moedas) para a economia de um país. Um ex-presidente brasileiro confiscou o dinheiro de pessoas que estavam investindo no País. Isto pode preocupar um estrangeiro que queira investir no Brasil, temendo que algo parecido possa ocorrer novamente. Um país também pode ter impostos ou regulamentações complicadas, que prejudiquem os investimentos. Por exemplo, se o Brasil aplicar a CPMF para operações no mercado de ações, os norte-americanos poderão perder o interesse em investir seus recursos no País, pois estariam pagando uma taxa adicional sempre que realizassem uma transação financeira. O investidor pode achar que a CPMF consome quase todo o lucro que ele esperaria obter em uma operação financeira no Brasil.

O que fazer?

Sendo um empresário brasileiro de sucesso, você entra em contato com o Presidente, informando-o sobre as suas dificuldades em obter dólares para importar os chips dos Estados Unidos. O Presidente lhe pede sugestões sobre como solucionar esse problema, que também afeta muitos outros brasileiros. Você explica que o Brasil deveria mudar sua legislação para conseguir aumentar as exportações e o investimento externo.  Isto faria com que mais moeda estrangeira entrasse no país.

O Presidente lhe responde que tem conhecimento da situação, mas não pode garantir que essas medidas serão aprovadas de imediato. O Presidente lhe pede sugestões e você faz as seguintes recomendações:

1. Aumento das exportações

Você sugere que o Brasil exporte mais produtos para os Estados Unidos, para que entrem mais dólares no país. Quando houver mais dólares no Brasil, os importadores brasileiros terão mais facilidade para trocar seus reais.

Mas para exportar mais para os Estados Unidos, o Brasil tem que produzir produtos de boa qualidade e a preços baixos, de modo a atrair os consumidores norte-americanos. As exportações brasileiras têm que ser mais competitivas, principalmente porque o comércio exterior envolve custos de transporte. Se os norte-americanos conseguem produtos melhores e mais baratos em seu país, eles não comprarão os produtos brasileiros.

Contudo, para que o Brasil possa produzir produtos melhores e mais baratos, o País terá que importar tecnologia. Empresários brasileiros precisarão de dólares para comprar tecnologia norte-americana e melhorar suas indústrias locais. Portanto, voltamos ao problema inicial: a falta de dólares norte-americanos em nosso País.

Você sugere ao Presidente uma outra possibilidade: talvez o Brasil possa convencer os norte-americanos a investir em empresas brasileiras - o que seria uma maneira de o Brasil importar tecnologia e conseguir a entrada de mais dólares no País.

Mas você descobre que os empresários norte-americanos temem investir no Brasil. Eles não concordam com o sistema de impostos do país, que, na opinião deles, já deveria ter sido reformado há anos. Eles também acreditam que os trabalhadores brasileiros precisam de mais instrução e treinamento.

Você percebe que não está fácil atrair investimentos para o Brasil. Você pensa em outras possibilidades. De repente, encontra uma possível solução: por que importar norte-americanos? Nós brasileiros deveríamos construir nossas próprias fabricas de chips de computador (e de outros produtos) que poderiam ser tão boas ou até melhores que as indústrias de outros países.

Você começa a pesquisar sobre como construir uma fábrica de chips para computação no Brasil. Mas você descobre que o equipamento, treinamento e tecnologia devem ser importados dos Estados Unidos. Esta solução é bastante complexa. Seria mais fácil conseguir dólares para importar os chips.

2. Conseguir um empréstimo em dólares

Ao pensar nas formas de resolver o problema de falta de câmbio, você cogita a ideia de pedir um empréstimo, em dólares, ao Banco do Brasil. .

 Pode até ser que o Banco cobre juros baixos sobre o empréstimo, mas se o real sofrer uma desvalorização, sua dívida poderá se tornar monstruosa. Por exemplo, suponhamos que você recebe um empréstimo de 100.000 dólares, que equivale a 300.000 reais. Um ano depois, você terá de devolver o empréstimo, mas o dólar estará valendo 4 reais. Além dos juros, você terá que pagar 400.000 reais.

3. O governo brasileiro pede um empréstimo ao governo dos Estados Unidos

Você sugere ao Presidente que o Brasil peça um empréstimo em dólares ao governo americano. O Presidente pode tentar convencer o governo dos EUA que esse empréstimo beneficiará ambos os países, pois brasileiros usariam esses dólares para comprar produtos americanos (no caso, os chips para computador).

Porém o governo americano pode hesitar em fazer um empréstimo ao Brasil. E se o Brasil entrar em uma crise financeira e não conseguir pagar o dinheiro emprestado, como já aconteceu anteriormente, não apenas com o nosso País mas  também  com outros países da América Latina?

Como funciona o FMI: como o Fundo Monetário Internacional pode ajudar

Ao tentar resolver seu problema, você pensou em diversas soluções. Mas elas são complicadas e levariam muito tempo para serem implementadas. Você e muitos outros brasileiros precisam de dólares imediatamente, tanto por razões empresariais (importação de chips) como por razões pessoais (comprar um carro americano que não é produzido no Brasil).

O FMI foi criado para resolver justamente estes problemas de câmbio.

A melhor forma que um país tem para resolver seus problemas de reservas em moeda forte é aumentar as exportações, o que não é um processo fácil nem rápido. Isso exige investimento, paciência e trabalho árduo e requer que os líderes dos países incentivem as exportações. Quando uma nação como o Brasil impõe taxas sobre suas exportações, seus produtos ficam ainda mais caros para os consumidores estrangeiros.

Geralmente, os países com falta de câmbio não conseguem reverter esta situação rapidamente. O FMI ajuda os governos desses países, emprestando as reservas em moeda forte necessárias e ajudando a reformular suas políticas econômicas. 

Com a ajuda do FMI, você, que é fabricante de computadores, poderia importar os chips que precisa dos Estados Unidos de forma mais simples e rápida. Você iria a um banco e trocaria seus reais por dólares.  E o banco, com o empréstimo concedido pelo FMI ao governo brasileiro, teria dólares para lhe conceder o empréstimo (e para outros importadores que precisassem de câmbio). É importante ressaltar que o FMI faz empréstimos a governos, não a empresas privadas.

No próximo artigo, vamos conhecer mais detalhadamente as medidas adotadas pelo FMI para ajudar um país a superar uma crise financeira.

 


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