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A Segunda Guerra do Golfo
 

A Segunda Guerra do Golfo

Os Estados Unidos se preparam para enfrentar o Iraque

Setembro de 2002

Para um maior conhecimento histórico sobre o assunto, leia o artigo A Guerra Inacabada: O Iraque de Saddam Hussein pode ser alvo de uma nova guerra, publicado pelo 10emtudo.com em 14 de março de 2002.

Desde que George W. Bush tornou-se presidente dos Estados Unidos, ficou evidente que um dos objetivos de sua política internacional tem sido retirar do poder o presidente do Iraque, o ditador Saddam Hussein. Existe uma forte suspeita de que o Iraque esteve envolvido no ataque de 11 de setembro às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, que foi sem dúvida o pior ataque terrorista da história norte-americana. É sabido também que Saddam apoia o terrorismo internacional e os homens-bomba palestinos, pois o ditador iraquiano não faz segredo disso.

Há mais de uma década, o presidente George Bush, pai do atual presidente norte-americano, liderou uma aliança militar contra o Iraque. Essa aliança incluía países europeus e árabes, que lutavam pela libertação do Kuwait após os exércitos de Saddam Hussein terem invadido o país e tentado anexá-lo. Saddam invadiu o Kuwait para conquistar seus campos de petróleo, e os aliados declararam guerra contra o Iraque para libertar estes campos. Se fosse permitido que o Iraque anexasse o Kuwait, Saddam Hussein controlaria uma grande parte do suprimento mundial de petróleo, e o pior, poderia fazer da Arábia Saudita o seu próximo alvo.

O filho de George Bush é quem ocupa a presidência norte-americana. Mesmo antes de ser eleito, o atual presidente expressou seu desejo de depor Saddam Hussein, talvez tendo sido motivado pelo legado de seu pai, que foi muito criticado por ter supostamente vencido a Guerra do Golfo, mas permitido que o ditador permanecesse no poder. Porém, após o ataque terrorista de 11 de setembro, a motivação do presidente tornou-se ainda mais forte: na sua aclamação contra o terrorismo, ele aponta Saddam Hussein como uma das maiores ameaças à segurança da América e do mundo.

Apesar da esmagadora derrota na Guerra do Golfo, Saddam continuou no poder. Durante o conflito, o ditador iraquiano ameaçou o mundo, e há evidências de que ele realmente utilizou armas químicas na guerra. Para assegurar que ele não faria isso novamente, as Nações Unidas exigiram, como parte do armistício, que o Iraque autorizasse a organização a inspecionar sua produção de armamentos. Desde o final da Guerra do Golfo, a disposição iraquiana em cumprir essa exigência tem oscilado, com Saddam Hussein frequentemente restringindo o acesso dos oficiais das Nações Unidas a algumas áreas, levando o mundo a suspeitar que os iraquianos estão desenvolvendo armas que eles não querem divulgar para o mundo. Contudo, em 1998, o Iraque expulsou os inspetores da ONU, impedindo seu retorno ao país.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, foi bastante tolerante com Saddam Hussein, o que não corresponde à atual administração norte-americana. Desde o ataque de 11 de Setembro, o mundo especula sobre a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque.

O Dossiê Britânico

Nas últimas semanas, o presidente George W. Bush vem dando sinais de que os Estados Unidos estão se preparando para atacar o Iraque. Bush acusou o governo iraquiano de estar desenvolvendo armas de destruição em massa. Saddam Hussein parece não dar ouvidos às ameaças e exigências norte-americanas. No entanto, alguns dias atrás, justamente quando parecia que os Estados Unidos atacariam o Iraque, os iraquianos voltaram atrás. O general Amer al-Saadi, principal conselheiro de Saddam na questão das forças armadas do país, declarou que o Iraque estaria disposto a autorizar os inspetores da ONU a voltarem ao país para investigar sua produção de armamentos.

Essa oferta iraquiana ocorreu após a publicação de um relatório do governo britânico, divulgado no último dia 24 de setembro. No relatório, o primeiro-ministro britânico Tony Blair declarou: "não tenho dúvidas de que a ameaça é grave e permanente, que Saddam Hussein progrediu na produção de armas de destruição em massa, e que ele precisa ser impedido".

Dentre outras coisas, o dossiê de 55 páginas preparado pelo Serviço de Inteligência Britânico e Americano, afirma:

  1. O Iraque continua a fabricar armas químicas e biológicas, e tem planos de utilizá-las.
  2. O Iraque está tentando obter tecnologia e material para fabricar armas nucleares, e há evidências de que o país tentou comprar quantidades significantes de urânio da África, apesar de não possuir um programa civil de poder nuclear que exija esse material.
  3. O Iraque desenvolveu mísseis de longo alcance que podem atingir algumas nações europeias.
  4. O Iraque aprendeu a ocultar equipamentos e documentação dos inspetores das Nações Unidas.

Esse dossiê forçou os Estados Unidos a recusar a última oferta iraquiana de autorizar o trabalho de inspeção. A Casa Branca declarou: "Saddam Hussein quer ganhar tempo com mais uma tentativa de enganar o mundo". De fato, a América tem toda razão em suspeitar do Iraque. Poucos dias após fazer uma oferta "incondicional" a respeito da inspeção da ONU, os iraquianos começaram a impor condições: as inspeções teriam que respeitar a soberania iraquiana, e os inspetores não poderiam visitar "locais presidenciais". Em outras palavras, a disposição do Iraque para aceitar a investigação da ONU era condicional e limitada: somente seria inspecionado o que os iraquianos permitissem.

A Segunda Guerra do Golfo: Os Estados Unidos se preparam para o conflito

Após ter praticamente desistido de encontrar alguma solução diplomática para o conflito, os Estados Unidos vêm se preparando para uma guerra. Na última semana, o Presidente Bush enviou uma resolução ao Congresso norte-americano, que, se aprovada, permitirá que o governo de Washington faça uso de todos os meios, inclusive da força, para obrigar o Iraque a cumprir as ordens exigidas pela ONU. Além disso, no dia 20 de setembro, o governo Bush lançou sua nova estratégia de segurança nacional contra qualquer ameaça ao país. A América insiste que a aquisição de armamento de destruição em massa pelo Iraque, especialmente se levado em consideração suas atitudes hostis do passado, faz com que o governo de Bagdá represente uma ameaça real aos Estados Unidos e ao mundo, que deve ser combatida imediatamente.


ONU - Organização das Nações Unidas

Porém, diferentemente da Guerra do Golfo, existe um tímido apoio internacional para uma nova campanha militar contra o Iraque. Dentre os cinco membros permanentes das Nações Unidas (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e Rússia), apenas a Grã-Bretanha apoia a posição norte-americana. Os demais países pregam que este conflito pode ser resolvido simplesmente com o retorno dos inspetores da ONU ao país. Eles afirmam que Saddam Hussein deu indicações de que autorizaria a volta dos inspetores ao seu país - algo que não ocorria desde 1998 - e que, portanto, não há necessidade de uma nova resolução da ONU contra o Iraque, e menos ainda, de a segunda guerra do golfo.

Os oficiais norte-americanos duvidam da eficácia de tais inspeções. Recentemente, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou que as inspeções "não funcionam". A Casa Branca não mantém segredo sobre seu desejo de uma mudança de liderança no Iraque.

Obviamente, críticos dos Estados Unidos podem encontrar razões para denunciar os planos de Bush em relação ao Iraque. Eles podem alegar que o governo de Washington pratica o imperialismo moderno, utilizando seu poder para atacar países e regimes que não aceitam as imposições norte-americanas. A nova política norte-americana de atacar países que ameaçam a sua segurança pode preocupar regimes não-democráticos, que não mantém laços muito estreitos com os Estados Unidos. Pode-se alegar também que o governo de Washington esteja utilizando o conflito com o Iraque para distrair seu povo: as eleições para o Congresso norte-americano ocorrem em novembro, e a economia do país não está bem. Uma vitória contra Saddam Hussein pode ajudar o Partido Republicano do presidente Bush nas eleições para o Congresso.

A política no Oriente Médio nunca foi simples, destacando-se frequentemente pela sua periculosidade. É possível que o Iraque tenha feito a oferta de permitir o retorno dos inspetores da ONU apenas para tentar isolar os Estados Unidos e enganar o mundo. Os russos já afirmaram que a autorização iraquiana para a inspeção da ONU torna desnecessária uma nova guerra. Isto pode ser o triunfo de Saddam Hussein: convencer o mundo de que ele não deseja a guerra, enquanto o Iraque desenvolve secretamente armas de destruição em massa. Ao julgar por seus atos no passado, isto é exatamente o que ele está tentando fazer.

 


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