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A Guerra do Iraque
 

A Guerra do Iraque

O Iraque pode ser alvo de uma nova guerra

George W. Bush, atual presidente dos Estados Unidos, é filho de um ex-presidente norte-americano com o mesmo nome, George Bush. Uma década atrás, o pai do atual presidente comandou os Estados Unidos e uma coligação de países numa guerra contra o Iraque, país árabe no Oriente Médio liderado pelo déspota Saddam Hussein.

A guerra contra o Iraque, denominada de Guerra do Golfo, ocorreu em razão da invasão iraquiana a um país vizinho, o Kuwait. Os Estados Unidos e diversos países europeus consideraram a invasão injustificável e inaceitável, e declararam guerra ao Iraque. Ao expulsar as tropas iraquianas do Kuwait, as forças aliadas proclamavam que estavam defendendo a liberdade e justiça no mundo. Mas os mais céticos acreditavam que os motivos da guerra eram puramente econômicos. O Kuwait é um país rico em petróleo. Com a invasão ao Kuwait, Saddam Hussein passaria a controlar uma porção significativa das reservas petrolíferas mundiais e, portanto, poderia manipular o preço deste no mercado internacional. Ainda mais preocupante, os norte-americanos acreditavam que a Arábia Saudita, um dos mais importantes produtores de petróleo no mundo, seria o próximo alvo de Saddam Hussein.

Após ser militarmente derrotado, o Iraque se retirou do Kuwait. Mas apesar da humilhante derrota, Saddam Hussein permaneceu como líder absoluto de seu país. Ironicamente, foi seu arqui-inimigo norte-americano que perdeu o poder. Logo após a guerra, a economia dos Estados Unidos entrou em recessão e George Bush perdeu sua reeleição para Bill Clinton, do Partido Democrata. Mas oito anos mais tarde, o partido de George Bush voltou à Casa Branca quando seu filho, George W. Bush foi eleito presidente dos Estados Unidos.

Saddam Hussein permaneceu como ditador do Iraque, mas após a derrota na Guerra do Golfo, foi forçado a aceitar uma série de medidas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados. Uma delas foi que oficiais das Nações Unidas inspecionassem a produção de armamentos desenvolvidos no Iraque. Os Estados Unidos e o mundo temiam, com toda razão, que Saddam Hussein pudesse cometer futuros atos de agressão, especialmente se tivesse à sua disposição bombas químicas e nucleares.

Desde o término da Guerra do Golfo, a disposição do Iraque de permitir essa inspeção variou bastante. Muitas vezes, Saddam Hussein desafiava os Estados Unidos, proibindo inspetores das Nações Unidas de entrarem em seu país. O ditador iraquiano sabia que o novo presidente norte-americano não tomaria nenhuma medida significativa para combatê-lo. Bill Clinton, famoso por sua ambição de tentar forjar um acordo de paz entre Israel e os países árabes, hesitava em tomar qualquer medida bélica contra qualquer nação islâmica. O máximo que fez foi ordenar que aviões de guerra norte-americanos bombardeassem algumas instalações militares iraquianas.

O presidente que sucedeu Bill Clinton, o Republicano George W. Bush, não compartilha de sua hesitação quando lida com déspotas como Saddam Hussein. Mesmo antes de ser eleito, o filho de George Bush, alertou que não permaneceria indiferente às ameaças do Iraque. Seu pai havia sido criticado por ter permitido que Saddam Hussein continuasse no poder. George W. Bush indicou que terminaria o que seu pai iniciou. Recentemente, quando foi questionado a respeito de Saddam Hussein, respondeu que o Iraque é a "guerra inacabada". Após a tragédia de 11 de setembro, quando fundamentalistas islâmicos perpetraram o maior ato de terrorismo de todos os tempos em solo norte-americano, George W. Bush tornou-se um homem determinado a proteger o mundo de pessoas como Saddam Hussein. Sendo assim, agora que a campanha militar norte-americana no Afeganistão está aparentemente chegando ao fim, os olhos do mundo se viram para uma possível guerra no Oriente Médio, desta vez contra o Iraque. 

A Estratégia do Iraque

Saddam Hussein pode ser um ditador sedento de sangue que matou milhares de seu povo, mas ele é um mestre da sobrevivência política. Durante uma recente festividade muçulmana no Iraque, ele fez o seguinte comentário sarcástico: se os Estados Unidos quiserem acabar com seu regime, ele apoiaria a decisão, pois seria uma decisão mais "civilizada" do que atacar iraquianos inofensivos. Sua declaração é bastante irônica: ele sempre esteve disposto a permitir o sofrimento da população iraquiana - na guerra contra o Irã, durante a Guerra do Golfo e futuramente quando sanções foram impostas sobre o Iraque - no entanto que ele permanecesse no poder. Saddam Hussein nunca esteve disposto a sacrificar suas ambições para aliviar o sofrimento de seu povo. 

No entanto, é possível que Saddam Hussein esteja ciente que o filho de seu ex-adversário venha a ser um inimigo formidável. E após o ataque de 11 de setembro ao World Trade Center, o ditador iraquiano perdeu muitos de seus antigos aliados. Desde a tragédia, vários países árabes têm se distanciado de nações que expressam atitudes antiamericanas. Estes países temem consequências políticas, econômicas e até mesmo militares, que podem sofrer se os Estados Unidos suspeitarem que eles apoiam a guerra fundamentalista islâmica contra a América. Portanto, o ditador do Iraque encontra-se isolado e à frente de uma administração norte-americana que está disposta a tomar medidas militares para removê-lo do poder.

Reconhecendo a sua delicada situação, Saddam Hussein enviou seu ministro das relações exteriores, Naji Hadithi, para retomar as negociações com as Nações Unidas sobre a volta de inspetores de armamentos para seu país. O Sr. Hadithi foi acompanhado por peritos militares do Iraque e se reunirá pela primeira vez com Hans Blix, chefe da organização de desarmamento militar das Nações Unidas.

Um editorial publicado num jornal iraquiano controlado por Uday Hussein, filho de Saddam, revela que o Iraque está disposto a demonstrar maior flexibilidade frente às exigências das Nações Unidas. O artigo relata que o Iraque se opõe às inspeções de armamentos porque elas aparentemente nunca terminam, e até que isso aconteça, as sanções econômicas contra o país não serão removidas. O editorial parece sugerir que o Iraque estaria disposto a permitir a inspeção de seus armamentos se soubesse que as Nações Unidas firmariam uma data para a remoção das sanções contra o país.

Apesar de uma atitude menos hostil às Nações Unidas, o Iraque não deve esperar um tratamento recíproco. Os Estados Unidos de George W. Bush querem Saddam Hussein longe do poder. A Rússia, que no passado era um grande aliado do Iraque, agora valoriza mais a sua aliança com os Estados Unidos do que sua relação com o regime de Saddam Hussein. Na próxima vez que as Nações Unidas discutirem a renovação de sanções contra o Iraque, é esperado que a Rússia apoie as duras medidas norte-americanas.

Ainda mais alarmante para os iraquianos, os Estados Unidos, apesar de estarem vencendo a guerra no Afeganistão, continuam a aumentar a sua presença militar no Golfo Pérsico. Já se encontram na região 30.000 tropas norte-americanas, um grande estoque de equipamentos bélicos, mais de 1000 aviões de guerra, peritos em logística e especialistas de apoio. Os Estados Unidos parecem estar dispostos a guerrear contra o Iraque. A bem-sucedida guerra contra o regime Talibã no Afeganistão rendeu aos norte-americanos um importante senso de confiança em seu poderio militar.

Desafios do Oriente Médio

Esta semana, o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, iniciou uma viagem de 10 dias pelo Oriente Médio. Um dos principais objetivos de sua viagem é garantir o apoio dos aliados árabes de seu país na região em caso de guerra contra o Iraque.

Apesar da maioria dos regimes árabes temerem Saddam Hussein, eles não apoiam uma guerra norte-americana contra o Iraque. Líderes árabes temem manifestações e revoltas públicas caso os Estados Unidos ataquem outro país árabe. As populações de muitas nações muçulmanas consideram Saddam Hussein um herói por ter desafiado e sobrevivido a uma guerra contra os Estados Unidos.

A política no Oriente Médio é um jogo de diplomacia bastante complexo. Os Estados Unidos enfrentam diversos obstáculos em sua tentativa de formar uma coligação de nações contra o Iraque. Nos próximos parágrafos, iremos analisar resumidamente a atual situação política de alguns países no Oriente Médio que seriam afetados pela guerra norte-americana contra o Iraque. Em artigos futuros, iremos discutir em detalhe o ataque terrorista de 11 de setembro ao World Trade Center, o conflito entre palestinos e israelenses e outras recentes questões geopolíticas no Oriente Médio.

Israel

Israel, um estado judeu, é o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. Desde sua fundação em 1948, esteve envolvido em guerras e atos de violência com seus vizinhos árabes, sendo um alvo frequente de ataques terroristas. Durante seus primeiros anos de existência, os árabes declararam que "jogariam os judeus ao mar".

O estado de Israel pactuou a paz com dois de seus ex-inimigos no Oriente Médio: Egito e Jordânia, mas muitos outros países árabes ressentem a presença de um estado judeu e democrático na região. Eles também afirmam que Israel não tem direito sobre os territórios que conquistou durante suas guerras e exigem que o estado judeu retire-se destas terras.

Nos últimos anos, Israel e líderes palestinos estavam envolvidos em negociações de paz. O ex-primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, do Partido Trabalhista de centro-esquerda, propôs ao líder palestino Yasser Arafat ofertas generosas para firmarem a paz entre Israel e os palestinos. O acordo incluiria o estabelecimento de um estado palestino e outras concessões que foram consideradas generosas demais e pouco realistas por muitos analistas políticos. Apesar de suas ofertas, as iniciativas de paz israelense não foram aceitas por Yasser Arafat e uma nova onda de violência palestina, marcada por ataques suicidas, voltou a atingir Israel.

Diante da violência e tamanha brutalidade palestina, muitos israelenses tornaram-se desiludidos com as negociações de paz com Yasser Arafat. A nação elegeu o partido Likud, de centro-direita. O líder do partido e atual primeiro-ministro de Israel é um consagrado general e ex-Ministro da Defesa, Ariel Sharon.

Apesar do terrorismo palestino, os regimes árabes são praticamente unânimes em seu apoio a Yasser Arafat. Eles veem com bons olhos os ataques suicidas em Israel e consideram que o primeiro-ministro Ariel Sharon é culpado pela violência.

É importante lembrar que durante a Guerra do Golfo, o Iraque lançou dezenas de mísseis Scud contra Israel. O estado judeu, diante de forte pressão norte-americana, não retaliou. Os Estados Unidos temiam que se Israel entrasse na Guerra do Golfo, muitos de seus aliados árabes deixariam a coligação contra o Iraque, pois se recusariam a lutar ao lado do Estado Judeu contra outra nação árabe. Este mesmo problema geopolítico persiste atualmente. Os Estados Unidos estão cientes que Israel não mais permanecerá passivo a qualquer ataque iraquiano. Isto claramente ameaça uma aliança formada pelos Estados Unidos e seus aliados árabes no Oriente Médio contra o Iraque.

Jordânia

A Jordânia é um país quase totalmente constituído por palestinos, representando 70-80% do país. Durante décadas, a Jordânia foi liderada pelo Rei Hussein, que firmou a paz com Israel pouco antes de morrer. Seu filho Abdula II é o novo monarca do país.

A Jordânia encontra-se numa difícil situação geográfica, estando localizada entre Israel e Iraque. O rei Abdulla II teme que a violência contínua no estado judeu possa causar uma migração palestina para a Jordânia e que um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque venha a causar "imensa instabilidade" na região.

Durante a Guerra do Golfo, a Jordânia não apoiou o Iraque, mas diferentemente da maioria dos regimes árabes, também não condenou. Apesar de o rei Hussein ter sido um aliado dos Estados Unidos e um querido amigo de Israel, percebeu que a maior parte de seu povo apoiava Saddam Hussein. Este mesmo sentimento pode ressurgir e servir de alimento político para fundamentalistas islâmicos na Jordânia caso os Estados Unidos voltem a atacar o Iraque. 

Egito

O Egito é o mais poderoso estado árabe. Foi também o primeiro a fazer a paz com Israel. O país recebe anualmente um enorme apoio financeiro dos Estados Unidos. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, é considerado um árabe moderado e por isso é desprezado e odiado por fundamentalistas islâmicos de seu país.

A economia do Egito não vai bem. De um lado o país recebe bastante dinheiro dos Estados Unidos, de outro, está tentando estabelecer laços comerciais com o Iraque, que poderiam envolver bilhões de dólares. A liderança egípcia está preocupada que uma guerra norte-americana contra o Iraque possa incitar os fundamentalistas islâmicos em seu país e prejudicar a sua economia, especialmente em seus esforços de desenvolver uma lucrativa relação econômica com o regime de Saddam Hussein.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita é o país de origem de Osama bin Laden, cabeça do terrível ataque terrorista de 11 de setembro. É também uma nação extremamente próspera. As duas cidades mais sagradas da religião islâmica - Meca e Medina - estão localizadas no país.

A Arábia Saudita é um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Após o ataque de 11 de setembro, o país vem tentando demonstrar aos Estados Unidos que continua sendo seu aliado. Contudo, muitos norte-americanos acreditam que a Arábia Saudita adota uma política pouco honesta: o país é amigável aos Estados Unidos quando lhe convém economicamente, mas ao mesmo tempo abriga terroristas e notórios fundamentalistas islâmicos.

Durante a Guerra do Golfo, havia uma preocupação de que o Iraque invadiria a Arábia Saudita. Apesar disso, os monarcas do país gostariam de evitar outra guerra norte-americana contra o Iraque. Eles lembram que Osama bin Laden declarou que seu principal motivo para o ataque terrorista de 11 de setembro era a presença de forças norte-americanas ("infiéis", como ele as chama) em solo sagrado muçulmano da Arábia Saudita. Assim como em muitos outros países árabes, os sauditas temem a reação de seu próprio povo se forem forçados a lutar ao lado dos Estados Unidos contra outro país árabe.

A Guerra do Iraque: Conclusão

Em 1981, em um ataque surpresa, aviões de guerra israelenses destruíram um reator nuclear que estava sendo construído no Iraque. Se o Estado Judeu não tivesse tomado tal iniciativa, o Kuwait e, possivelmente, a Arábia Saudita hoje fariam parte do Iraque. Se Saddam Hussein tivesse armas nucleares a sua disposição, mesmo os Estados Unidos não poderiam combatê-lo.

O ataque terrorista de 11 de setembro demonstra que fundamentalistas estão dispostos a cometer atrocidades inimagináveis. Saddam Hussein não é um fundamentalista, mas é considerado um déspota perigoso, mesmo por muitos líderes árabes.

Os Estados Unidos, ao tentar derrubar Saddam Hussein, estão claramente tentando evitar outra tragédia como a que aconteceu em 11 de setembro. Mas não será fácil construir uma coligação contra o Iraque. Será que os Estados Unidos estão dispostos a lutar contra o Iraque mesmo sem o apoio de outros países árabes? O pai do atual presidente restaurou a moral das forças militares dos Estados Unidos, estilhaçada em sua guerra anterior, no Vietnã. Porém, apesar dos Estados Unidos terem facilmente derrotado o Iraque, não foram capazes de alcançar seu objetivo principal de retirar Saddam Hussein do poder. George W. Bush parece estar determinado a completar a missão militar que seu pai deixou inacabada.

 


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