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A Coreia do Norte nuclear
 

A Coreia do Norte nuclear

Outubro de 2002

A Coreia do Norte assusta o mundo ao revelar que está desenvolvendo armas nucleares.

Nos últimos dois meses, a Coreia do Norte tem dado indícios de que pretende construir armas nucleares, deixando o mundo em estado de alerta. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que estão prestes a declarar guerra contra o Iraque, encontram-se em situação diplomática delicada, pois afirmam que seu atual conflito com o Iraque decorre do fato de o governo de Saddam Hussein estar trabalhando secretamente na construção de um arsenal nuclear. O que deve ser feito em relação a um país que admitiu estar fazendo o mesmo? Como deve o mundo lidar com a Coreia do Norte nuclear?

O ditador norte-coreano Kim Jong Il não faz segredo do desenvolvimento de armas nucleares em seu país. Em outubro de 2002, a Coreia do Norte confirmou os relatórios da CIA de estar construindo ilegalmente uma nova fábrica para enriquecimento de urânio, reativando assim seu programa nuclear. O país admitiu que há anos vem realizando um programa secreto de proliferação nuclear. No reator de Yongbyon, à vista de dois inspetores das Nações Unidas, oficiais norte-coreanos reabriram um reator nuclear e não permitiram que câmeras de inspeção da ONU filmassem seu trabalho. Os norte-coreanos também reabriram uma instalação para extração de plutônio e expulsaram de seu país dois inspetores das Nações Unidas.


Kim Jong Il

Ao reabrir essas instalações, a Coreia do Norte quebrou um acordo assinado em 1994 com o governo do presidente americano Bill Clinton. Naquele ano, a Coreia prometeu desistir de seu programa de proliferação nuclear e autorizou a inspeção pelas Nações Unidas para comprovar que o país não possuía o material necessário para a produção de armas nucleares. A Coreia do Norte também recebeu do governo Clinton US$3 bilhões em apoio econômico, em troca da interrupção das exportações de mísseis. Desde então, a Coreia do Norte não cumpriu com esses acordos, restringindo constantemente o acesso dos inspetores às suas instalações nucleares.

A Coreia do Norte - ao reabrir o reator de Yongbyon e não cumprir com suas promessas passadas - faz com que os Estados Unidos hesitem em voltar à mesa de negociações. Se a Coreia do Norte não cumpriu sua parte do acordo no passado, por que as coisas seriam diferentes dessa vez? O governo Bush fez uma série de ameaças, mas o ditador Kim Jong Il as ignorou, sucessivamente.

A situação é preocupante. Sem a presença dos inspetores da ONU, o mundo permanece sem saber se a Coreia do Norte já desenvolveu - ou está em processo de desenvolver - armas nucleares. A CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, acredita que o país já possui material suficiente para a produção de uma ou duas bombas e que os norte-coreanos poderia extrair plutônio nos próximos meses para a produção de diversas outras. Existe ainda a possibilidade de que o país já possua uma bomba nuclear.

Os Estados Unidos, em meio à crise com o Iraque, alegam que não invadirão a Coreia do Norte e planejam resolver esta situação de forma pacífica. Estudam a possibilidade de pressionar a Coreia por meio de sanções econômicas e não através de ações militares. O governo americano declarou que ainda vê o Iraque como a maior ameaça mundial, em razão das atrocidades cometidas no passado por Saddam Hussein, inclusive contra seu próprio povo.

Não seria fácil para os Estados Unidos atacar a Coreia do Norte, pois bombardear o reator nuclear espalharia radiação pelo Japão, Coreia do Sul e China. Além disso, a Coreia do Norte possui um grande e poderoso exército. Os norte-coreanos dificilmente conseguiriam atingir os Estados Unidos, mas a tropa americana que protege a costa entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul é composta por 37.000 homens - um alvo perfeito para uma retaliação imediata contra o governo Bush. O mundo teme que um ataque americano contra a Coreia do Norte possa resultar numa retaliação nuclear, se os norte-coreanos, de fato, já possuem a bomba nuclear. A Coreia do Norte nuclear é, evidentemente, uma ameaça mesmo para uma superpotência militar como os Estados Unidos. O consequente uso de armas nucleares seria obviamente catastrófico, causando um número inestimável de mortos e a provável destruição da capital sul-coreana, Seul.

Uma sanção econômica da ONU preocupa os vizinhos da Coreia do Norte. O número de refugiados norte-coreanos já é bastante grande e uma sanção econômica significaria um número ainda maior de pessoas deixando o país e emigrando para países vizinhos. No caso de um conflito militar ou econômico, os Estados Unidos terão dificuldade em convencer os vizinhos da Coreia do Norte a cooperarem. A Coreia do Sul, apesar de aliada dos Estados Unidos, deseja manter um bom relacionamento com a Coreia do Norte e está pressionando os americanos a buscarem uma solução pacífica. Mas a dúvida permanece: se a América e a ONU não tomarem uma atitude em relação à Coreia do Norte, o que impedirá o Japão e a própria Coreia do Sul de iniciarem seu próprio programa de armamento nuclear?

Mesmo com a colaboração dos países vizinhos, existem muitas dúvidas sobre a eficácia de um embargo econômico contra a Coreia do Norte. O ditador King Jong Il parece preferir que seu povo morra de fome a fazer qualquer concessão. Desde que ascendeu à liderança da Coreia do Norte, em 1994, Kim presenciou o colapso econômico de seu país e o consequente flagelo da fome, que resultou na morte de mais de 2 milhões de pessoas. Há também o dilema moral de qualquer embargo econômico: é a população, e não os líderes do país, quem sofre com a fome e com as dificuldades econômicas resultantes do embargo.

Os Estados Unidos temem que a Coreia do Norte continue com seu programa nuclear e consiga produzir bombas tão pequenas que caibam em mísseis capazes de atingir países vizinhos. Há também o medo de que, no futuro, os norte-coreanos consigam construir mísseis de longo alcance que cheguem a atingir o território americano.

Outra preocupação relacionada ao programa nuclear da Coreia do Norte é que o país tem como uma de suas principais fontes de renda a venda de mísseis a outros países. O que impediria o país, que precisa tanto de dinheiro, de vender armas nucleares para déspotas ou organizações terroristas?

As razões para as recentes ações norte-coreanas, aparentemente hostis, são diversas. Talvez a principal seja o fato de que as armas nucleares dão ao ditador Kim um poder de barganha que ele nunca teve. A Coreia do Norte está em meio a uma profunda crise econômica e seu ditador luta para manter sua condição. Ele controla os meios de comunicação e, assim sendo, o governo projeta sua imagem como um ídolo. Contudo, seu governo está em perigo, pois a população está faminta e a elite, descontente com a situação.

O ditador norte-coreano pode estar utilizando a ameaça de uma bomba nuclear como fonte de proveito para seu país. Kim Jong II parece estar desesperado para acabar com o isolamento e com a crise em seu país e poderá concordar em desistir de seus planos nucleares, caso os Estados Unidos prometam estabelecer relações diplomáticas com a Coreia do Norte. A população norte-coreana está infeliz e se a situação econômica do país piorar ainda mais, Kim perderá totalmente o apoio de sua gente.

Mas, até agora, os Estado Unidos estão cépticos quanto a um novo acordo, que a Coreia do Norte possivelmente não respeitará. O governo Bush declarou que deseja negociar com a Coreia do Norte, mas não abre mão de sua exigência de que o governo de Kong desista de produzir armas nucleares. Nos últimos dias, os Estados Unidos demonstraram uma certa flexibilidade: inicialmente haviam declarado que não negociariam com a Coreia do Norte até que o governo de Kim fechasse todas as suas instalações nucleares. Por outro lado, a Coreia do Norte vem-se mostrando disposta a reconsiderar seus planos militares caso os Estados Unidos ofereçam um pacto de não agressão e apoio para financiar fontes de energia no país. Porém, desta vez os americanos exigirão garantias de que a Coreia cumprirá suas promessas.

Um fracasso diplomático em relação à Coreia do Norte pode ser um problema para os Estados Unidos, em seu conflito com o Iraque. Bush ameaça entrar em guerra contra Saddam Hussein, alegando que este está desenvolvendo secretamente um programa nuclear. Sendo assim, os Estados Unidos encontram-se em uma encruzilhada: declaram abertamente que não têm intenções de atacar a Coreia do Norte, mas ao mesmo tempo se mostram dispostos a declarar guerra contra o Iraque. Como podem os americanos agir militarmente contra o Iraque por realizar em segredo o que a Coreia do Norte admitiu, abertamente, estar fazendo? Talvez a razão seja o fato de Saddam Hussein apoiar abertamente a organização terrorista Al Queda. Se os iraquianos obtivessem a bomba atômica, os Estados Unidos seriam seu alvo preferido.

É improvável que o ditador Kim Jong Il tenha intenções de utilizar armas nucleares. Acredita-se que Kim encontrou uma forma radical de obrigar os países a lhe concederem ajuda financeira. Com esta bomba, o ditador obteve o respeito de seu povo e a atenção - e possivelmente a ajuda - do mundo.

 


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