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Matérias > Obras Literárias > Vidas Secas - Graciliano Ramos

A época: o segundo tempo modernista no Brasil

O Modernismo brasileiro, movimento artístico nascido em 1922, teve em sua primeira geração o arroubo da novidade. A rigor, o movimento viera com disposição de aniquilar o ideário precedente, de romper abruptamente com o passado mais absoluto. Se o Romantismo propusera a disponibilidade de regras e modelos, como apregoou Vítor Hugo, na França, fê-lo com relação ao modelo clássico. O Modernismo, entretanto, intenta romper com toda e qualquer estrutura passadista.

Daí o "escândalo" provocado pela Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922.

Passado o calor da primeira fase, observa-se, a partir de 1930, uma postura modernista mais equilibrada: uma postura que, em lugar de se prender pura e simplesmente aos processos de desintegração do passado, torna-se mais voltada para

a sobriedade, para um certo equilíbrio emocional, para uma ótica de crítica social e política e pelo interesse de uma visão de conjunto da realidade nacional. Dessa forma, procuram-se consolidar as conquistas de 1922, absorvendo as novas formas e a liberdade de expressão e recuando em relação às propostas mais radicais. O plano ideológico vai sobrepor-se ao plano estético, enquanto a temática amplia-se, caminhando para o universal. Assim, a produção literária percorre caminhos diferentes, que ilustram a riqueza e a fecundidade do período, em que se destacam:

  • A poesia de cunho filosófico-ideológico de Carlos Drummond de Andrade;
  • A poesia de cunho espiritualista católico do grupo "Festa", em que se reuniram nomes como Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt;
  • A poesia de inspiração surrealista de Murilo Mendes;
  • A prosa psicológica de caráter intimista e introspectivo cultivada por Érico Veríssimo (em sua obra urbana), Otávio de faria, Cornélio Pena, Lúcio Cardoso e Cyro dos Anjos, entre outros.
  • A prosa regionalista nordestina, de cunho neo-realista, que reuniu o chamado "grupo do nordeste", com autores como José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Américo de Almeida, e da qual o maior nome é, sem dúvida, Graciliano Ramos.

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