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"O Mundo coberto de Penas" compõe o décimo
segundo capítulo:
"O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau
sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo."
É um prenúncio de que a existência forma um círculo vicioso.
Tudo vai recomeçar com a chegada da seca. Fabiano não tem mais esperanças.
Traz marcas indeléveis em sua trajetória de retirante e sem dúvida essas
marcas serão aprofundadas indefinidamente.
"Chegou-se à casa, com medo. Ia escurecendo e àquela
hora ele sentia sempre uns vagos tremores. Ultimamente vivia esmorecido,
mofino, porque as desgraças eram muitas. Precisava consultar Sinhá Vitória,
combinar a vigem, livrar-se das arribações, explicar-se, convencer-se
de que não praticara uma injustiça matando a cachorra."
"Fuga" é o capítulo derradeiro da obra. Fabiano
percebe inevitável nova partida:
"A vida na fazenda tornara-se difícil." "Mas
quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a
viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou
a carne, largou-se com a família..."
Antes da partida, primeira vez marido e mulher conversam
sobre seu destino: a partida irrevogável.
Saíram fugidos, pela madrugada. Não podiam saldar a dívida
que lhes foi imposta.
Sinhá Vitória, ao passar pelo lugar em que brincaram
os meninos e a cachorra Baleia, chora.
O episódio marca um instante em que sob a casca da brutalidade
se percebe a carga lírica das personagens. Um lirismo que muitas vezes
não vem à tona, sufocado pelas adversidades da existência.
É de notar que a obra inicia relatando uma fuga. Essa
dinâmica, de certa forma, perpassa todos os capítulos, já que a instabilidade
é a tônica dos episódios que vão, por fim detonar a próxima fuga e, talvez
outra e outra...
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