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Ao par de alimentar seus planos em relação às minas, Loredano intenta
raptar Cecília, a Ceci, filha de D. Antônio que, aos dezoito anos, era
uma moça belíssima e virginal, a qual herdara as qualidades morais do
pai:
“Os grandes olhos azuis, meio cerrados, às vezes se abriam
como para se embeberem de luz [...]
Os lábios vermelhos e úmidos pareciam uma flor de gardênia
dos nossos campos, orvalhada pelo sereno da noite [...] Sua tez alva e
pura como um froco de algodão, tingia-se nas faces de uns longes cor-de-rosa,
que iam, desmaiando, morrer no colo de linhas suaves e delicadas.
[...]
Os longos cabelos louros, enrolados negligentemente em ricas
tranças, descobriam a fronte alva, e caíam em volta do pescoço, presos
por uma rendinha finíssima de fios de palha cor de ouro, feita com uma
arte e perfeição admirável.”
Ceci está sempre sob a vigilância e os cuidados do índio Peri, que a
venera com adoração e tem da parte do pai dela a mais alta gratidão por
tê-la salvado da morte. A moça trata-o como a um irmão e tem também a
companhia de Isabel, sua prima (na realidade, filha ilegítima de D. Antônio
com uma índia):
“Era um tipo inteiramente diferente do de Cecília; era o
tipo brasileiro em toda a sua graça e formosura, com o encantador contraste
de languidez e malícia, de indolência e vivacidade.
Os olhos negros, o rosto moreno e rosado, cabelos pretos,
lábios desdenhosos, sorriso provocador, davam a este rosto um poder de
sedução irresistível.”
Durante uma caçada pelas selvas, Diogo, filho de D. Antônio, mata uma
índia, filha do cacique dos aimorés, índios inimigos dos portugueses e
vingativos, que resolvem vingar-se matando Ceci:
“Tinham morto sua filha, era justo que matassem também a
filha do seu inimigo; vida por vida, lágrima por lágrima, desgraça por
desgraça.”
Os aimorés, porém, não obtêm seu intento de matar Ceci, por causa da
contínua proteção de Peri. É também essa proteção que impede qualquer
sucesso nas tentativas de Loredano em relação a ela:
“Em Peri o sentimento era um culto, espécie de idolatria
fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília
não para sentir um prazer ou ter uma satisfação, mas para dedicar-se inteiramente
a ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse
um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade.”
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