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José Martiniano de Alencar nasceu em Mecejana, Ceará, no ano de 1829,
e faleceu no Rio de Janeiro, em 1877. Mudou-se para o Rio com a família
ainda na infância. Em 1843, vem para São Paulo, estudar Direito. Apaixonou-se
logo pela Literatura: enquanto cursava a faculdade em São Paulo, dedicava-se
à leitura de romances românticos franceses, que mais tarde influenciariam
sua arte. Formado, foi para o Rio, para a Corte, onde conciliou as atividades
de advogado com a atuação na imprensa, chegando a diretor do Diário
do Rio de Janeiro. Lá divulgaria seus primeiros romances, como O
Guarani, publicado em 1857, primeiramente em folhetim e depois em
volume, no mesmo ano.
Filho de um ex-padre que era também político — seu pai, José Martiniano,
foi duas vezes presidente da Província do Ceará e senador do Império —,
Alencar interessou-se pela política e chegou a Ministro da Justiça. Eleito
deputado provincial pelo Ceará, foi preterido por D. Pedro II na indicação
para senador e, ressentido, afastou-se da vida pública. Como político,
assumiu sempre posições conservadoras, inclusive em relação ao problema
da escravidão.
Sua carreira literária, apesar de pontuada pelas polêmicas em que se
envolvia, foi intensa e bem-sucedida. Alencar foi escritor de amplo alcance
e sua obra estabeleceu o que propriamente se pode chamar de romance
nacional, não obstante tenha havido um Joaquim Manuel de Macedo. Sua
verve produziu 21 romances, sendo Senhora, Iracema e Lucíola,
consideradas obras-primas.
O crítico Antônio Cândido aponta-nos três "Alencar":
o das personagens altruístas, despojadas de maus sentimentos, heróicas
— caso em que se inclui O Guarani; aquele das mocinhas apaixonadas,
dos namoros complicados, isto é, que trabalha com a complicação sentimental
e destaca a mulher como figura central —os romances de salão —
e, por fim, o Alencar de Senhora e de Lucíola, com seus
personagens "dotados de amadurecimento interior e de complexidade
psicológica inexistente nos heróis, vilões, donzelas e mancebos lineares
e previsíveis."
De qualquer modo, seja qual for o Alencar tratado, será o grande ficcionista
romântico, que teve no romance o ponto alto de sua produção artística
e usou sua arte para conhecer e mostrar melhor a cultura de sua terra,
pela qual era absolutamente apaixonado.
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