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Não se deve, porém, confundir a ordem desse enfoque com uma cronologia
de produção do autor: Ubirajara, que fala do Brasil anterior a
Cabral, foi escrito em 1874, depois de O Guarani e Iracema;
por sua vez, O Guarani foi o primeiro a ser produzido — data de
1855 — e trata do período mais recente, a colonização, enquanto Iracema
— de 1865 — se refere aos primeiros contatos entre o índio e o branco.
No prefácio da obra Sonhos d’ Ouro, um de seus últimos romances,
Alencar esclarece sua posição quanto à sua temática indianista, como se
vê no excerto seguinte:
"O período orgânico desta literatura conta já três
fases.
A primitiva, que se pode chamar de aborígine, são as lendas
e mitos da terra selvagem e conquistada; são as tradições que embalaram
a infância do povo, ele escutava como o filho a quem a mãe acalenta no
berço com as canções da pátria, que abandonou.
Iracema pertence a essa literatura primitiva, cheia de santidade
e enlevo, para aqueles que venceram na terra da pátria a mãe fecunda —
alma mater, e não enxergam nela apenas o chão onde pisam.
O segundo período é histórico: representa o consórcio do
povo invasor com a terra americana, que dele recebia a cultura, e lhe
retribuía nos eflúvios de sua natureza virgem e nas reverberações de um
solo esplêndido.[...]
É a gestação lenta do povo americano, que devia sair da
estirpe lusa, para continuar no novo mundo as gloriosas tradições de seu
progenitor. Esse período colonial terminou com a Independência.
A terceira fase, a infância de nossa literatura, ainda não
terminou; espera escritores que lhe dêem os últimos traços e formem o
verdadeiro gosto nacional, fazendo calar as pretensões, hoje tão acesas,
de nos recolonizarem pela alma e pelo coração, já que não o podem pelo
braço."
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