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Data o Romantismo brasileiro de 1836, e sua prosa apresenta, bem definidas,
características estéticas em que se marca um "nacionalismo literário",
identificado tanto no indianismo alencariano quanto na prosa de conotação
histórica e de ambientação regionalista — em que também se coloca José
de Alencar, ao par de autores como Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay
e Franklin Távora.
O Romantismo marca um período em que se inicia uma atividade literária
voltada para os valores nacionais: há quem se interesse por aquilo que
é nativo; tem-se, assim, o indianismo, já que nossa cultura nativa é a
indígena. Por outro lado, faz-se também uma leitura da sociedade urbana
fluminense incipiente, que sucede à observação dessa cultura nativa.
Desse modo, a prosa romântica apresenta uma riqueza temática de grande
valor histórico e mesmo literário. Enquanto o Ceará — em Iracema
— e o interior do Rio — em O Guarani — instituem-se como cenários
de uma gênese da brasilidade e a região confluente entre Minas Gerais,
Mato Grosso e Goiás representa um espaço preferencial no âmbito regionalista,
o Rio de Janeiro desponta como centro de referência para os escritores
da prosa romântica urbana.
Evidencia-se o interesse dos prosadores em pintar as cores locais, enfocando
o espaço, o homem brasileiro, em busca do registro de uma cultura nativa
(aborígine, indianista), sem, entretanto, deixar de observar os costumes
e comportamentos de uma sociedade que se forma tanto no ambiente rural,
como se vê em Inocência, como urbana, registrada, por exemplo,
em Senhora. Essa é a razão do aparecimento da produção literária
indianista, da regionalista e da urbana.
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A valorização do índio foi um dos aspectos mais presentes em nossos românticos
no que se refere ao propósito de afirmação da nossa nacionalidade. Afinal,
tratava-se de exaltar aquele que era considerado o produto mais genuíno
da terra brasílica.
Assim, Gonçalves Dias, na poesia, e José de Alencar, na prosa, buscaram
enaltecer as tradições, a valentia e a honra dos silvícolas que habitavam
a terra quando aqui chegou o homem branco. Para tanto, era mister estudar-lhes
a vida, os hábitos, os costumes, a linguagem. Deve-se em grande parte
a esses escritores a presença, hoje, de inúmeras palavras e expressões
indígenas na língua portuguesa falada no Brasil.
A prosa alencariana indianista valoriza o que o Brasil tem de natural,
de nativo, e não apenas exalta essa brasilidade, como também equipara
a flora, a fauna e o silvícola à "modernidade" européia.
Para melhor entender a obra indianista de Alencar, é necessário observar
a seqüência temporal que existe no enfoque do indígena: Ubirajara
trata do índio no período pré-cabralino; Iracema aborda o contato
do índio com o colonizador e O Guarani abrange a fase de colonização
do Brasil.
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