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Como nas outras obras de temática indígena do autor (Iracema e
Ubirajara), a narrativa parte do lendário para seguir uma racionalização
gradual de ações rigorosamente distribuídas por capítulos que produzem
uma concepção harmoniosa da história e permitem a valorização do elemento
nacional.
A narrativa apresenta 54 capítulos, distribuídos em 4 partes:
- “Os aventureiros”;
- “Peri”;
- “Os aimorés”;
- “A catástrofe”.
Segundo o crítico Affonso Romano de Sant’Anna, ao longo dessas quatro
partes, pode-se observar que a trama percorre três etapas:
a) uma etapa inicial, caracterizada pela ausência de conflitos, na
qual são apresentados o cenário e as personagens;
b) uma segunda etapa, na qual os conflitos começam a aparecer, com a
gradativa luta entre as personagens, que vão entrando em choque até
a quase destruição de todos;
c) uma terceira e última etapa, com as personagens “sobreviventes” numa
atmosfera de harmonia semelhante ao início da história.
A primeira etapa marca-se pela harmonia tanto entre as personagens e
o espaço, como entre os dois ambientes que constituem esse espaço: o natural
e o cultural. Os elementos coordenam-se e complementam-se: natureza,
casa e homem se integram de modo aparentemente edênico. A natureza é antropomorfizada,
e o homem, naturalizado. Tal integração pode ser observada no brasão da
família de D. Antônio de Mariz, em que o reino vegetal, o mineral e o
animal se enlaçam.
Ainda nesta parte, o princípio da ordem e da paz é assegurado pelo “direito
natural” exercido por D. Antônio, que remonta à organização feudal, na
qual o senhor é soberano sobre os servos e que é ilustrada pela própria
relação entre o rio Paquequer e o Paraíba:
“[...] dir-se-ia que vassalo e tributário desse rei das
águas, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente
aos pés do suserano. [...] ...; escravo submisso, sofre o látego do senhor.”
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