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Matérias > Obras Literárias > O Guarani - José de Alencar

Comentários gerais

 

Como nas outras obras de temática indígena do autor (Iracema e Ubirajara), a narrativa parte do lendário para seguir uma racionalização gradual de ações rigorosamente distribuídas por capítulos que produzem uma concepção harmoniosa da história e permitem a valorização do elemento nacional.

A narrativa apresenta 54 capítulos, distribuídos em 4 partes:

  • “Os aventureiros”;
  • “Peri”;
  • “Os aimorés”;
  • “A catástrofe”.

Segundo o crítico Affonso Romano de Sant’Anna, ao longo dessas quatro partes, pode-se observar que a trama  percorre três etapas:

a) uma etapa inicial, caracterizada pela ausência de conflitos, na qual são apresentados o cenário e as personagens;
b) uma segunda etapa, na qual os conflitos começam a aparecer, com a gradativa luta entre as personagens, que vão entrando em choque até a quase destruição de todos;
c) uma terceira e última etapa, com as personagens “sobreviventes” numa atmosfera de harmonia semelhante ao início da história.

A primeira etapa marca-se pela harmonia tanto entre as personagens e o espaço, como entre os dois ambientes que constituem esse espaço: o natural e o cultural. Os elementos coordenam-se e  complementam-se: natureza, casa e homem se integram de modo aparentemente edênico. A natureza é antropomorfizada, e o homem, naturalizado. Tal integração pode ser observada no brasão da família de D. Antônio de Mariz, em que o reino vegetal, o mineral e o animal se enlaçam.

Ainda nesta parte, o princípio da ordem e da paz é assegurado pelo “direito natural” exercido por D. Antônio, que remonta à organização feudal, na qual o senhor é soberano sobre os servos e que é ilustrada pela própria relação entre o rio Paquequer e o Paraíba:

“[...] dir-se-ia que vassalo e tributário desse rei das águas, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. [...] ...; escravo submisso, sofre o látego do senhor.”


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