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José de Alencar tinha como ideal contribuir para criar uma "língua
brasileira", independente dos padrões do português de Portugal:
"Nós, os escritores nacionais, se quisermos ser entendidos
de nosso povo, havemos de falar-lhe em sua língua, com os termos ou locuções
que ele entende, e que lhe traduz nossos usos e sentimentos.
Não é somente no vocabulário, mas também na sintaxe de língua,
que o nosso povo exerce o seu inauferível direito de imprimir o cunho
de sua individualidade, abrasileirando o instrumento das idéias."
[...]
O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba,
pode falar uma língua com igual pronúncia e espírito do povo que sorve
o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?"
Assim, sua linguagem, além de marcar-se pelo seu estilo não se furtou
à generosidade no emprego dos adjetivos — considerados excessivos sob
a óptica atual, que preza a concisão, a economia vocabular —, dos advérbios
e de figuras como a metáfora, a prosopopéia, a comparação (que lhe permitia,
a um só tempo, exaltar a natureza e o índio, amalgamado a ela). Mas procurou,
também, preservar a nossa oralidade, preferindo, sempre que possível,
períodos e orações curtas e o uso dos pronomes átonos em próclise. Resulta
daí uma linguagem exuberante, colorida, marcada pela plasticidade nas
descrições, como observa o crítico Antônio Cândido:
“Em nenhum outro, porém, aparece melhor o trabalho de visualização
artística, compondo uma atmosfera de cores, formas e brilhos para celebrar
a poesia da vida americana. Aliás, seu exaltado senso visual era quase
sempre diretamente descritivo, construindo por vezes certas visões sintéticas
de um luminoso impressionismo [...]”
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