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A situação vai-se agravando até tornar-se insustentável. Peri tenta uma
solução desesperada: quebra suas armas e luta sozinho contra os aimorés,
rendendo-se após decepar a mão do velho cacique, a fim de ser considerado
herói e ter seu corpo devorado pelos inimigos. Aí, envenena-se para envenená-los
também e, assim, salvar a casa de D. Antônio.
No entanto, à espera do sacrifício, Peri é salvo por D. Álvaro de Sá
e, face ao desespero de Ceci por sua causa, sai à procura de antídoto
contra o veneno que tomara e, quando volta, traz o corpo de Álvaro, morto
em combate com os aimorés.
Sabedora de que ele já correspondia ao seu amor, Isabel, inconformada,
busca a própria morte, incendiando o aposento em que ambos se encontravam:
“Louca, perdida, alucinada, ela ergueu-se, seu seio dilatou-se,
e sua boca, entreabrindo-se, colou-se aos lábios frios e gelados de seu
amante; era o seu primeiro e último beijo; o seu beijo de noiva.
Foi uma agonia lenta, um pesadelo horrível em que a dor
lutava com o gozo, em que as sensações tinham um requinte de prazer e
de sofrimento ao mesmo tempo; em que a morte, torturando o corpo, vertia
na alma eflúvios celestes.
[...]
Isabel não tinha mais forças para resistir e realizar o
seu heróico sacrifício; deixou cair a cabeça desfalecida, e seus lábios
se uniram outra vez num longo beijo, em que essas duas almas irmãs, confundindo-se
numa só, voaram ao céu, e foram abrigar-se no seio do Criador.
As nuvens de fumaça e de perfume se condensavam cada vez
mais e envolviam como um lençol aquele grupo original , impossível de
descrever.”
Enquanto isso, D. Antônio tenta defender-se a si e à sua casa e família,
ao lado do fiel escudeiro Aires Gomes e mantendo uma quantidade de pólvora
para usar em último caso. Sentindo-se seguro, Loredano parte para a ação,
a fim de matar D. Antônio e raptar Ceci, mas é preso e condenado a morrer
queimado.
O cerco dos aimorés é cada vez maior, e D. Antônio pede a Peri que se
torne cristão, pois essa era a única maneira de ele permitir a fuga do
índio com Ceci, única solução para salvar os dois. Peri concorda e carrega
Ceci, entorpecida por uma bebida que o pai lhe dera. Numa frágil canoa
eles descem o rio e ouvem a explosão da casa, provocada por D. Antônio.
Sozinha no mundo, Ceci se recusa a ir para o Rio de Janeiro procurar
seu irmão ou sua tia, conforme o pai pedira a Peri. Prefere ficar com
o índio que, numa luta desumana, arranca uma palmeira do solo, improvisando
uma canoa, para fazer face às águas que sobem cada vez mais. O final é
aberto, com a sugestão da união amorosa entre as duas raças que, na visão
alencariana, constituiriam o esteio da raça brasileira:
“O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face.
Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos rubores
e lânguidos sorrisos: os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo
soltando o vôo.
A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia...
E sumiu-se no horizonte.”
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