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Matérias > História > Índice Cursinho > História do Brasil > Expansão Marítimo Comercial
Álvaro Pais, burguês intelectual com grande influência sobre o povo, principalmente nas camadas mais humildes de Lisboa, conclamou as massas à rebelião. No seu modo de ver, o primeiro passa para a salvação de Portugal seria a eliminação do conde Andeiro, amante de Dona Leonor Teles e líder dos setores hispanófilos. Nuno Álvares Pereira, porta-voz do grupo mercantil, indicou D. João, Mestre de Aviz, meio irmão de D. Fernando, para assumir o governo lusitano. Logo após a morte do conde Andeiro ocorreu a sublevação popular que destituiu Leonor Teles da regência e colocou no trono o Mestre de Aviz. A rainha fugiu para Santarém, de onde marcou um encontro com seu genro castelhano, que aguardava um pretexto para invadir o território português. Realmente, ansioso por tomar conta da herança de sua mulher, D. João de Castela mobilizara os seus exércitos. A situação era crítica, pois a causa nacional e patriótica vinha sendo defendida apenas por uns poucos nobres, apoiados na arraia miúda. Tudo lhes faltava: dinheiro, armas, prestígio e soldados. Somente a burguesia portuária, sobretudo de Lisboa e Porto, tinha condições materiais para a defesa da soberania lusa. Com efeito, foi nas riquezas dos mercadores do reino que o Mestre de Aviz encontrou o amparo financeiro. Com a adesão da classe mercantil, a revolução perdeu seu caráter popular, transformando-se num movimento burguês. Dessa forma, as massas populares passaram para segundo plano, revelando-se então o interesse do grupo mercantil . A burguesia comercial e marítima, comandando agora a insurreição, tinha um objetivo específico: dirigir os negócios do reino. Em 1385, graças à hábil argumentação do jurista João das Regras, o Mestre de Aviz foi aclamado rei sob a denominação de D. João I. Ainda nesse ano, a independência portuguesa seria consolidada após as vitórias obtidas pelos exércitos de Nuno Álvares Pereira contra os castelhanos, nas batalhas de Aljubarrota e Valverde. Finalmente, depois de um longo período de intranqüilidade, encerrava-se a Idade Média para o povo lusitano. A nação, agora sob a liderança burguesa, podia traçar novos rumos, tomando consciência dos seus destinos. Portugal voltava ao trabalho e a revolução tornava-se, aos poucos, apenas uma lembrança gloriosa. Com os Aviz no trono, a pátria portuguesa, um Estado livre e coeso, atingira sua maioridade política. Portugal estava agora pronto para a grande tarefa: a conquista do Atlântico. |