De modo geral; pode-se dizer que os grupos interessados na preservação
da autonomia portuguesa e no crescimento econômico habitavam a faixa litorânea.
Os senhores feudais do interior, por outro lado, colocavam-se claramente a
favor do domínio castelhano. Por todos esse fatores, coube à camada mercantil,
cuja ascensão se deveu principalmente à crescente importância dos portos
portugueses, o principal papel da consolidação da autonomia e na integração
territorial da nação lusitana, esta última efetivada com a progressiva expulsão
dos árabes para o Continente Africano.
A reconquista cristã do Mediterrâneo, levada a cabo pelo movimento
das Cruzadas, iniciado no século XI, causou profundas transformações no modo
de vida europeu. Com efeito, aberta essa nova rota marítima, proveitosas transações
comerciais passariam a ser realizadas com o mundo oriental. Assim, graças à
existência de prósperos mercados no Levante, o Velho Mundo, dando início a
um acelerado processo de acumulação de riquezas, acabou por superar as barreiras
que até aquele momento entravavam seu desenvolvimento econômico. Inúmeras foram
também as alterações sociais então provocadas. Diversas cidades européias, notadamente
em Flandres e na Itália, tornaram-se verdadeiros baluartes da luta dos grupos
mercantis emergentes contra as velhas estruturas agrícolas da ordem feudal.
Pouco a pouco, a presença dos comerciantes foi transformando os modos
de produção e, em conseqüência, as relações sociais do Velho Continente.
Esses ambiciosos mercadores trouxeram consigo a produção livre e assalariada,
a ampliação da economia de mercado e a proliferação dos núcleos urbanos.