A esquadra partiu no dia seguinte, em meio às aclamações do povo que
afluiu em massa para contemplar o espetáculo. Na manhã do dia 14 navegavam
entre as Canárias. No dia 22, ainda em março atravessaram o arquipélago
de Cabo Verde. Na noite seguinte, desgarrou-se da frota a embarcação de
Vasco de Ataíde. Tudo foi feito para encontrar o navio perdido. Em vão:
a nau fora engolida pelas águas. Desfalcados, velejaram para oeste, até
que no dia 21 de abril de 1500, terça- feira da Páscoa, reconheceram sinais
de terra próxima. No dia seguinte, pela manhã, descortinaram um monte
e um negrume prolongado no horizonte, sinal indicativo da continuação
da linha litorânea. Cabral deu ao monte o nome de Pascoal, e à terra a
denominação de ilha de Vera Cruz. No dia 23, navegaram para terra firme,
ancorando em frente a um rio, onde seriam travados os primeiros contatos
com os indígenas. No dia seguinte, sexta-feira, rumaram para o norte.
Os navios maiores fundearam ao largo, os de menor porte entraram num abrigo,
no qual a armada inteira penetraria. Na manhã seguinte, domingo de Pascoela,
armou-se um altar, onde o frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira
missa no Brasil. Foi cantada e assistida pelos sacerdotes da expedição,
pelos capitães e marinheiros.
Os indígenas, atraídos pela novidade, acompanharam o ritual,
imitando os gestos dos cristãos, Finalmente, a 02 de maio, Cabral zarparia
de Porto Seguro em direção à Índia, com a missão de dar continuidade à rota
aberta por Vasco da Gama. O Brasil estava, assim, descoberto.