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Matérias > História > Índice Cursinho > História do Brasil > Expansão Marítimo Comercial
A concepção cosmográfica de D. João II, amplamente evidenciada em Tordesilhas e nas expedições às águas ocidentais, levou à descoberta do Atlântico brasileiro, ótimo ancoradouro para as naus que buscavam a Índia. O Brasil figuraria, em consequência, como precioso elo da corrente expansionista do “Príncipe Perfeito”. Em Tordesilhas, Fernando e Isabel , interessados em salvaguardar as ilhas descobertas por Cristóvão Colombo, ignorando completamente a geografia atlântica, acreditaram que estavam concedendo a Portugal simplesmente águas. A mudança do meridiano de 100 para 370 léguas a oeste de Cabo Verde não atingia os interesses de Castela nas Antilhas. Por isso, os soberanos espanhóis concordaram em abdicar dos limites propostos pela bula Inter Coetera, cedendo diante da insistência de D. João II em afastar a sua fronteira atlântica. Em suma, Castela não sabia o que dava. Por seu lado, Portugal tinha sérias razões para desejar a transferência da raia de partilha do Atlântico, de enorme valor estratégico, para o domínio de ambas as margens do Atlântico sul. No entanto, havia uma lacuna no Tratado de Tordesilhas. Realmente, nele não estava assinalado o lugar de Cabo Verde que tomaria como ponto inicial para a medição de 370 léguas, apesar de os pontos extremos do arquipélago distarem de si aproximadamente 2 graus de longitude. Concluímos daí que os plenipotenciários lusos e castelhanos, presentes na localidade de Tordesilhas, jamais acreditaram no exato cumprimento do ajuste entre as duas coroas litigantes. Ninguém confiava na execução do tratado. O acordo nunca foi respeitado. O meridiano de partilha nem chegou a ser demarcado. Vinte e oito anos após a assinatura do convênio, D. João III, de Portugal, e Carlos V, soberano espanhol, ainda discutiam a divisão do oceano, problema agravado pelo conflito ibérico pela posse das Molucas. Com efeito, no início do século XVI, não convinha ao reino português que o limite ocidental do Brasil se aprofundasse pelo continente. Como vimos, as novas terras então descobertas estavam divididas entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Tordesilhas. Porém, havia um território em pendência: as ilhas Molucas, nossas antípodas, região rica em especiarias, eram disputadas pelas duas nações ibéricas. Se o meridiano divisor entrasse em demasia pelo Continente Americano, as Molucas passariam a fazer parte do semi-hemisfério espanhol. Daí a estranha atitude dos delegados portugueses, procurando, nesse tempo, fazer com que as 370 léguas, que assinalariam a localização do referido meridiano, não fossem contadas a partir do lado mais ocidental das ilhas de Cabo Verde , como era desejo dos espanhóis. Na verdade, as Molucas foram, durante anos, muito mais estimadas por Portugal do que as regiões aparentemente estéreis do Brasil. Por fim, em 1529, na cidade de Saragoça, as duas coroas chegariam a um acordo, ficando as Molucas sob controle lusitano mediante indenização. |