Nos últimos anos do século XV, em razão do antagonismo entre as potências
marítimas, surgiriam as disputas ultramarinas. A Europa imperialista era,
então, representada por Portugal de D. João II e pela Espanha de Fernando
e Isabel, os “Reis Católicos”. Pela sua situação especial de importante
via marítima, o Atlântico se tornou o principal foco de atenções dos interesses
políticos da duas grandes monarquias ibéricas. A estratégia de D. João
II, no plano da competição ultramarina, consistiu em desviar a atenção
da Espanha do empreendimento português no ocidente africano, com o claro
objetivo de garantir para Portugal a passagem marítima do cabo da Boa
Esperança para as Índias. A obsessão do “Príncipe Perfeito” era o Levante,
rico de especiarias e outros gêneros comerciáveis, não o ocidente desconhecido,
para onde Portugal procurava induzir os seus competidores peninsulares.
Tal estratagema levaria Castela a buscar o caminho para a Índia através
do mares ocidentais. Portugal tinha, seguramente, a convicção do erro
de rumo do empreendimento ultramarino espanhol, fato patenteado após o
retorno de Colombo das regiões insulares da América Central.
Regressando das Antilhas, que ele identificava com a ilha Cipango, guarda
avançada do Oriente, Colombo chegou a Lisboa a 06 de março de 1493. A
capital lusitana foi, assim, a primeira terra do Continente Europeu visitada
por Colombo na sua viagem de volta da América. No dia 09, à noite, Colombo
avistou-se com D. João II, que se encontrava no mosteiro de Nossa Senhora
das Virtudes, em Santarém.
Na verdade, conforme as cláusulas do tratado celebrado em Toledo,
a 06 de março de 1480, entre Afonso V, de Portugal, e Fernando e Isabel de Castela,
as terras situadas ao sul das Canárias seriam exclusivamente de exploração lusitana.
Apesar da existência do referido Tratado de Toledo, a viagem de Colombo fez
renascer a competição ultramarina entre as duas coroas ibéricas. D. João II,
apoiando-se no acordo de 1480, procurou garantir os direitos portugueses. Com
essa finalidade, realizou uma demonstração de poderio naval, mandando aprontar
uma armada com o firme propósito de enviá-la aos territórios visitados por
Cristóvão Colombo, pois achava o soberano que essas linhas descobertas lhe pertenciam.