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Matérias > História > Índice Cursinho > História do Brasil > Expansão Marítimo Comercial

Certamente, a burguesia portuguesa estabeleceu como meta cortar as grossas correntes do tráfico mediterrânico dominado pelos italianos. Portugal, carente de artigos do Sudão, realizaria uma penetração mercantil no Marrocos, onde era fácil a aquisição de bens da “Terra dos Negros” e do Oriente. A conquista de Ceuta permitiria, no entender do alto comércio luso, desviar as rotas do ouro  e dos escravos para o Atlântico ibérico, e era isso que estimulava os comerciantes do reino a participar do empreendimento ultramarino dos Aviz.

No entanto, uma surpresa terrível abalaria as esperanças mercantilistas do homem português. Ao saque seguiu-se a desilusão econômica. O estado permanente de tensão militar na área de Ceuta desviou o comércio. Com efeito, a cidade  portuária, até então ponto de convergência de rotas mercantis, transformou-se numa onerosa praça de guerra. Malogravam, assim os sonhos de enriquecimento acalentados pelos mercadores lusos.

Fazia-se, pois, necessário o estudo de novos planos expansionistas. Avançar pelo Mediterrâneo iria ferir os interesses do bloco ítalo-árabe.  A  luta pela partilha econômica e política da África mediterrânea não interessava a Portugal. Só restava uma saída: bordejar o Continente Africano, desviando as rotas transarianas para o Oceano Atlântico. Iniciava-se, desta forma, a conquista e exploração do “Mar Tenebroso”.  Tendo aprendido a lição de Ceuta, a burguesia mercantil portuguesa voltava-se agora para o Atlântico, o grande  forjador de seus destinos.

Após a conquista de Ceuta, a navegação portuguesa conheceria o apogeu. Para D. Henrique, o Navegador, teórico da aventura ultramarina lusitana, o objetivo maior era chegar ao cabo Bojador, centro do ouro e dos escravos africanos. O próprio Vaticano, por meio das bulas dos papas Eugênio IV, Nicolau V e Calixto III, autorizara a aplicação dos fundos da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, presidida por D. Henrique, na execução do périplo africano.


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