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Matérias > História > Índice Cursinho > História do Brasil > Expansão Marítimo Comercial
Todos os meio disponíveis foram utilizados para se contornar a crise. Com a finalidade de corrigir a depressão, os reis, num primeiro momento, recorreram à depreciação das moedas. Sem dúvida, a desvalorização do numerário era um modo fácil de enriquecer - e também de empobrecer - , ao qual a realeza, maravilhada com a simplicidade do processo, não conseguiu resistir. Assim os monarcas europeus abusaram desse poder de elevar ou enfraquecer o valor monetário conforme fossem devedores ou credores. Em breve, cada depreciação monetária dava lugar a outra. Na realidade, os ganhos daí advindos eram bastante ilusórios, pois quando as contribuições devidas ao Estado eram pagas em moeda desvalorizada, os benefícios logo se transformavam em pesados prejuízos. Em consequência, as quebras monetárias revelaram-se um pobre e quase ineficaz paliativo. Além disso, o enfraquecimento do numerário acarretou a elevação dos preços, gerando ampla intranqüilidade social. As inúmeras complicações então surgidas no campo econômico, no setor financeiro e no quadro social representaram graves obstáculos à totalidade da população européia, entravando especialmente o desenvolvimento da burguesia comercial e marítima. Outro fator contribuía para tornar a situação ainda mais crítica: a Europa ocidental, apesar de desprovida de meios de pagamento, tinha necessidade de goma e de tintas, reclamadas pela florescente indústria têxtil. Isso forçava as camadas proprietárias de Flandres, da Inglaterra e de Portugal a efetuar vastas compras de substâncias tintureiras e de gomas nos mercados da orla mediterrânea. Obviamente tais transações provocaram uma transferência, cada vez maior, de metal precioso para os cofres italianos e árabes. A camada mercantil e os Estados Nacionais não podiam assistir de braços cruzados à tragédia econômica que se abatera sobre a Europa ocidental. Na verdade, a superação da grande crise era a meta de todo o corpo social. A Igreja Católica, por exemplo, via na expansão ultramarina - única solução possível para o problema europeu - um prolongamento da luta contra o Islão e, também, uma forma de cristianização de enormes contingentes humanos. Para a nobreza, arruinada pelo enfraquecimento das estruturas feudais, a aventura marítima seria uma maneira de recuperar o prestígio e o poder perdidos. O povo, principal vítima da guerra, das pestes e da carestia, ansiava por novas oportunidades de emprego e meios de enriquecimento. A realeza, por sua vez, encarava o empreendimento marítimo como a fonte dos recursos essenciais à centralização da estrutura administrativa estatal. Todos, pois, mostravam-se interessados na conquista do Ultramar. Assim, a Europa ocidental, por inteiro, atirou-se decidida em direção ao Oceano Atlântico. A vanguarda da epopéia dos descobrimentos coube a Portugal. Colocado numa encruzilhada de dois mundos - o Mediterrâneo e o mar do Norte - , o pequeno reino seria a formidável porta da Europa. Pobre, apertada contra o mar por um vizinho ambicioso e prepotente - a Espanha - , a pátria lusitana encontrou no Atlântico o espaço para crescer. Inúmeros foram os fatores que levaram Portugal a exercer um papel pioneiro nas grandes navegações: |