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Matérias > História > Índice Cursinho > História do Brasil > Expansão Marítimo Comercial

Etapas dos Descobrimentos Portugueses

No início do século XV, a burguesia mercantil da Europa ocidental sentiu que, para superar a crise que então abalava a vida econômica, era necessário libertar o comércio das restrições impostas pelo bloco ítalo-muçulmano da orla mediterrânea. Com efeito, as trocas realizadas com o Oriente proporcionavam lucros fabulosos aos intermediários árabes e italianos - detentores do monopólio do comércio mediterrâneo, - acarretando, em contrapartida, sérios déficits para os mercadores do Atlântico europeu. Impunha-se, portanto, às classes mercantis do Ocidente, suprimir essa onerosa concorrência.

Somente a conquista do Atlântico, rota alternativa para os ricos mercados do Levante, poderia quebrar as amarras que prendiam a economia da Europa do Norte ao monopólio dos comerciantes da área do Mediterrâneo. As sucessivas crises de mão-de-obra e de metais preciosos, que assolavam o mundo europeu desde o século XIV, exigiam uma rápida solução para o problema. Essa delicada conjuntura da realidade econômica do Velho Continente forçaria a procura do ouro e de escravos em regiões extra-européias. De fato, a Guerra dos Cem Anos e as pestes que haviam vitimado o Continente Europeu provocaram uma  diminuição na extração de metais preciosos. O minguado meio circulante, em boa parte retido pelas cidades italianas, passou a não atender mais às crescentes exigências de numerário do comércio a longa distância. A queda  da mineração do cobre e  da prata na Europa central (Hungria, Tirol e Boêmia) precipitou as crises do crédito e da moeda. A inexistência de estoques de minérios preciosos gerou um clima de insegurança em toda a vida econômico-financeira. Em fins do século XV, a Europa estava profundamente doente. O diagnóstico da enfermidade, no entanto, era bastante simples: carência de ouro e prata, ou seja, uma progressiva desmetalização que acarretava o congelamento do comércio e a paralisação das trocas comerciais. Além disso, com a redução da massa metálica, nenhum dos artigos habitualmente comercializados pelo capitalismo europeu conseguiria equilibrar uma balança de pagamentos totalmente deficitária. Os tecidos e os produtos agrícolas não eram suficientes para cobrir as importações provenientes  dos mercados orientais. Sem ouro, as trocas eram impossíveis e toda a estrutura comercial européia estava em perigo.


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