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Matérias > História > História do Brasil > As Origens do Antigo Sistema Colonial

Outro obstáculo quase abortou o processo da acumulação primitiva de capital: a crise do século XIV. Pode-se dizer que esse período histórico europeu foi um crítico intervalo entre a destruição da realidade feudal e o nascimento, ainda embrionário, da estrutura capitalista. Numa linguagem metafórica:a crise do século XIV foi, simultaneamente, o resultado da “morte” do mundo medieval e das primeiras etapas do parto do modo de produção capitalista. No período, a decadência da produção agrícola feudal gerou surtos de fome, notadamente em 1316 e 1318, acompanhados de pestes, das quais a mais conhecida foi a “A Grande Peste Negra” de 1348, que exterminou quase metade da população européia. Além disso, falências das manufaturas, desemprego, escassez de gêneros, revoltas urbanas e camponesas (as “jacqueries”) e conflitos militares, principalmente a “Guerra dos Cem Anos” (1336 – 1453) dificultaram a acumulação de capital por parte da então frágil e emergente burguesia mercantil. A superação dessa crise só foi possível pela expansão ultramarina dos Tempos Modernos. No dizer poético de Fernando Pessoa, verso musicado por Caetano Veloso: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Somente as “Grandes Navegações” gerariam empregos, reaqueceriam a economia pela conquista de mercados, obtenção de metais preciosos e fontes de matérias-primas, possibilitando a retomada e aceleração do processo de acumulação primitiva que, no seu clímax, viria implantar e consolidar o modo de produção capitalista.


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