O cruzadismo, a “Guerra da Reconquista” e o avanço germânico em direção ao
leste europeu fizeram o homem europeu, até então confinado aos seus feudos,
ampliar seus espaços e horizontes, físicos e também culturais. Como conseqüência,
surgiria o “comércio à longa distância”, fator responsável pelo colapso
da estrutura feudal. De fato, ao longo do período compreendido entre os séculos
VI e XII, a Europa só conhecera o comércio à curta distância, no qual não existe
a relação entre abundância e escassez. Noutros termos: duas regiões próximas
entre si apresentam os mesmos característicos climáticos, geológicos, topográficos
e tecnológicos. Dessa maneira, o produto que é abundante numa determinada região,
também o é numa área próxima. Isso faz com que as trocas não valham a pena,
em termos pecuniários. Exemplifiquemos: se uma região “A” produz laranjas, nas
cercanias, também existirão laranjais. Assim, toda e qualquer troca será entre
gêneros semelhantes. A partir do momento em que, o homem europeu entrou em contato
com o Oriente e com áreas distantes de sua terra natal, surgiu o comerciante:
o indivíduo que percebeu que um produto abundante, e portanto barato, numa determinada
zona, se transportado para uma área distante, onde esse gênero fosse raro e,
por conseguinte, caro, essa locomoção traria lucro. Nesse momento, tinha origem
o capital comercial.
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DEFINIÇÃO DE CAPITAL COMERCIAL
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CAPITAL GERADO PELA CIRCULAÇÃO DE PRODUTOS |
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DEFINIÇÃO DE COMERCIANTE MEDIEVAL
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UM LOCOMOVEDOR DE BENS, ENTRE ÁREAS DISTANTES ENTRE SI, QUE GANHA EM FUNÇÃO
DAS DIFERENÇAS DOS PREÇOS INTERZONAIS |
Por volta dos séculos XIII e XIV, nascia a burguesia mercantil, setor
social dedicado ao comércio com o propósito de acumular capitais. Logo, o mercador
percebeu que havia uma outra forma de reproduzir seu dinheiro: empréstimos que
eram devolvidos com juros. Maravilhosa descoberta: o capital usurário.
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DEFINIÇÃO DE CAPITAL USURÁRIO
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CAPITAL GERADO PELA CIRCULAÇÃO DO PRÓPRIO DINHEIRO |
O capital comercial e o capital usurário foram os responsáveis pelo processo
da acumulação primitiva de capital, responsável pelo nascimento do modo
de produção capitalista, que seria efetivamente implantado pela Revolução Industrial
do século XVIII. Numa primeira, e ainda simplista, definição, chamamos essa
acumulação de primitiva pelo fato de ter precedido e possibilitado o capitalismo.