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Matérias > História > História do Brasil > As Origens do Antigo Sistema Colonial

AS ORIGENS DO ANTIGO SISTEMA COLONIAL

“Todo colonialismo é um sistema”

(Jean- Paul Sartre)

O colonialismo consiste num sistema bipolar: o pólo colonizador (a Metrópole) e o pólo colonizado (a Colônia). As origens, as estruturas econômicas, sociais, políticas e ideológicas e o significado das formações coloniais são condicionados pelos interesses e ações de suas Metrópoles. A importância metodológica desse conceito é que nunca podemos iniciar o estudo da história de uma colônia a partir dela própria, pois, em primeiro lugar, faz-se necessária a compreensão das razões pelas quais certas nações precisaram colonizar áreas periféricas. Em termos mais simples: não devemos, portanto, tentar entender a realidade brasileira sem inserí-la  no contexto europeu que determinou a necessidade de zonas coloniais na América. Assim, todo e qualquer estudo do Brasil deve começar pela descrição dos processos históricos europeus que levaram à  expansão ultramarina dos Tempos Modernos (período compreendido entre os séculos XV e XVII).

O Brasil surge na história do Ocidente dentro dos quadros do Antigo Sistema Colonial da Era Mercantilista. O nosso primeiro esforço de explicação da realidade brasileira consistirá no entendimento das motivações européias que levaram à formação daquele sistema colonial específico e historicamente datado.

A EUROPA FEUDAL

No século V d.C., o gigantesco Império Romano do Ocidente, já vitimado por uma crise estrutural iniciada dois séculos antes, sucumbiu diante das invasões bárbaras germânicas. Essas provocaram uma brutal regressão nas estruturas européias: o abandono das cidades e um conseqüente processo de ruralização, a quase perda da economia monetária, o aniquilamento da ordem jurídica romana e um enorme retrocesso cultural. Paralelamente a essa atrofia estrutural, a Europa se viu comprimida num espaço geográfico limitado pela presença de muçulmanos no Mar Mediterrâneo e na Península Ibérica, além da ameaça de invasões magiares e tartáricas no leste e o fechamento de suas fronteiras setentrionais pelos normandos e outros povos nórdicos. A crise então experimentada pela  Europa é claramente expressa por um conhecido dito medieval: “no Mar Mediterrâneo, não flutua nem uma tábua cristã”. De fato, o antigo Mare Nostrum dos orgulhosos romanos era, agora, um lago islâmico. O duplo processo, por nós descrito, de regressividade e compressão foi o elemento condicionador da feudalização da Europa.


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