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“A pequena colônia britânica de Hong Kong, situada na costa sul da China,
é considerada o terceiro centro financeiro do mundo, depois de Nova Iorque
e Londres, e ocupa o décimo-sétimo lugar no comércio internacional.
O Território era parte do antigo e bem organizado sistema administrativo
chinês. A ilha de Hong Kong foi cedida ao Reino Unido em caráter “perpétuo”
em 1842, quando os ingleses atacaram a China na Primeira Guerra do ópio.
Em 1898, os britânicos obrigaram Pequim (atual Beijing) a ceder, por um
arrendamento de 99 anos, a zona rural situada ao norte de Kowloon, conhecida
com Novos Territórios.
Hong Kong foi utilizada como centro comercial, sendo
um ponto de entrada para a China. Na década de 50, após a vitória comunista,
os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram um bloqueio comercial à China.
Hong Kong teve que importar todo seu consumo básico do ultramar e fomentar
as exportações. Após isso, tornou-se um grande exportador de têxteis,
peças de vestuário, produtos de plástico e eletrônicos. Da mesma forma
que em Taiwan e na Coréia do Sul, esse desenvolvimento foi generosamente
apoiado pelas potências ocidentais, interessadas em promover esses “bastiões”
da Guerra Fria.
O crescimento do comércio e da indústria de exportação
transformou Hong Kong em um centro financeiro, de comunicações e de transporte.
Para isso, também contribuiu a política de governo, estabelecendo baixos
impostos, tarifas aduaneiras mínimas, confiabilidade e liberdade para
os movimentos do capital.
No final dos anos 70, Hong Kong tinha um dos melhores
portos naturais do mundo, sofisticados sistemas internacionais de investimentos
e comércio e grandes e modernos terminais de carga. Estima-se que entre
30 e 50% do comércio exterior da China seja realizado através de Hong
Kong. (...)
O governador de Hong Kong, indicado pelo governo britânico,
tinha poderes absolutos na administração cotidiana do território. Ele
era assistido por um Conselho Executivo e um Legislativo, cuja maioria
de membros representava grupos empresariais, financeiros e profissionais.
No começo da década de 80, Londres e Pequim iniciaram
conversações sobre o futuro de Hong Kong, pois o arrendamento por 99 anos
da maior parte do território terminava em 1977.
Antes de começar as negociações com a China, Londres aprovou leis de
imigração especiais que rebaixavam o status dos 3,25 milhões de
residentes nascidos em Hong Kong, que possuíam passaporte e cidadania
britânicos. As mudanças aprovadas retiravam dessas pessoas todos os direitos
de fixarem residência no Reino Unido e de transmitirem a nacionalidade
a seus descendentes. Criou-se o passaporte de cidadão de Território Britânico
Dependente, que não confere cidadania real em nenhuma nação. O afã de
obter passaportes estrangeiros (com freqüência caribenhos e latino-americanos),
muitas vezes através de compra ou suborno, fez surgir um verdadeiro tráfico
ilegal e escândalos internacionais.
As negociações sino-britânicas resultaram em um acordo
em que ficou acertado que a China recuperaria a soberania sobre a totalidade
do território em 1997, porém este contaria com um “alto grau de autonomia”
como Região Administrativa Especial da China. Hong Kong, manteria seu
atual “sistema social e econômico” por pelo menos 50 anos a partir de
1997; disporia de poderes executivo, legislativo e judiciário, emitiria
sua própria moeda e continuaria a ser um território regido por leis próprias
em relação à imigração e a controles aduaneiros. Pequim, por seu lado,
reservou-se o controle da defesa e das relações exteriores.
A China anunciou que o acordo continha um novo e importante conceito
– “um país, dois sistemas” – também aplicado na colônia portuguesa de
Macau, e insinuou, mais de uma vez, que podia ser o princípio de reincorporação
de Taiwan. Ficou acertado que uma Lei Básica, com detalhes sobre o funcionamento
do território após 1977, funcionaria como uma Constituição. (...)
No dia 1º de julho de 1997, a zero hora, a China recuperou o controle
de Hong Kong, depois de 155 anos de domínio colonial britânico. O empresário
Tung Chi Hua foi designado para liderar o novo governo da ilha, assistido
por um Conselho Legislativo.
De acordo com a nova lei, Hong Kong conservará por
50 anos seus direitos e liberdades, sua autonomia judicial, sua natureza
de centro financeiro, bem como seu modo de vida. A China reservou para
si o controle da defesa e das relações exteriores.
A reunificação iniciou a etapa “um país, dois sistemas”, pela combinação
da economia de livre mercado de Hong Kong com o rígido controle político
do resto a China.”
Enciclopédia do Mundo Contemporâneo pág. 199 – Publifolha
– Editora Terceiro Milênio |