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Matérias > Geografia > Geografia Geral > Ásia > A República Popular da China

DOIS ÊXITOS EXTERNOS

O projeto geopolítico da China tem como base a reintegração dos territórios que, por longo tempo, permaneceram em mãos estrangeiras. Em 1997, a República Popular da China recuperou Hong Kong, firmando o princípio de “uma nação e dois regimes”. Dois anos depois, a possessão portuguesa de Macau foi retomada pelo governo de Beijing.

HONG KONG

“A pequena colônia britânica de Hong Kong, situada na costa sul da China, é considerada o terceiro centro financeiro do mundo, depois de Nova Iorque e Londres, e ocupa o décimo-sétimo lugar no comércio internacional.

O Território era parte do antigo e bem organizado sistema administrativo chinês. A ilha de Hong Kong foi cedida ao Reino Unido em caráter “perpétuo” em 1842, quando os ingleses atacaram a China na Primeira Guerra do ópio. Em 1898, os britânicos obrigaram Pequim (atual Beijing) a ceder, por um arrendamento de 99 anos, a zona rural situada ao norte de Kowloon, conhecida com Novos Territórios.

Hong Kong foi utilizada como centro comercial, sendo um ponto de entrada para a China. Na década de 50, após a vitória comunista, os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram um bloqueio comercial à China. Hong Kong teve que importar todo seu consumo básico do ultramar e fomentar as exportações. Após isso, tornou-se um grande exportador de têxteis, peças de vestuário, produtos de plástico e eletrônicos. Da mesma forma que em Taiwan e na Coréia do Sul, esse desenvolvimento foi generosamente apoiado pelas potências ocidentais, interessadas em promover esses “bastiões” da Guerra Fria.

O crescimento do comércio e da indústria de exportação transformou Hong Kong em um centro financeiro, de comunicações e de transporte. Para isso, também contribuiu a política de governo, estabelecendo baixos impostos, tarifas aduaneiras mínimas, confiabilidade e liberdade para os movimentos do capital.

No final dos anos 70, Hong Kong tinha um dos melhores portos naturais do mundo, sofisticados sistemas internacionais de investimentos e comércio e grandes e modernos terminais de carga. Estima-se que entre 30 e 50% do comércio exterior da China seja realizado através de Hong Kong. (...)

O governador de Hong Kong, indicado pelo governo britânico, tinha poderes absolutos na administração cotidiana do território. Ele era assistido por um Conselho Executivo e um Legislativo, cuja maioria de membros representava grupos empresariais, financeiros e profissionais.

No começo da década de 80, Londres e Pequim iniciaram conversações sobre o futuro de Hong Kong, pois o arrendamento por 99 anos da maior parte do território terminava em 1977.

Antes de começar as negociações com a China, Londres aprovou leis de imigração especiais que rebaixavam o status dos 3,25 milhões de residentes nascidos em Hong Kong, que possuíam passaporte e cidadania britânicos. As  mudanças aprovadas retiravam dessas pessoas todos os direitos de fixarem residência no Reino Unido e de transmitirem a nacionalidade a seus descendentes. Criou-se o passaporte de cidadão de Território Britânico Dependente, que não confere cidadania real em nenhuma nação. O afã de obter passaportes estrangeiros (com freqüência caribenhos e latino-americanos), muitas vezes através de compra ou suborno, fez surgir um verdadeiro tráfico ilegal e escândalos internacionais.

As negociações sino-britânicas resultaram em um acordo em que ficou acertado que a China recuperaria a soberania sobre a totalidade do território em 1997, porém este contaria com um “alto grau de autonomia” como Região Administrativa Especial da China. Hong Kong, manteria seu atual “sistema social e econômico” por pelo menos 50 anos a partir de 1997; disporia de poderes executivo, legislativo e judiciário, emitiria sua própria moeda e continuaria a ser um território regido por leis próprias em relação à imigração e a controles aduaneiros. Pequim, por seu lado, reservou-se o controle da defesa e das relações exteriores.

A China anunciou que o acordo continha um novo e importante conceito – “um país, dois sistemas” – também aplicado na colônia portuguesa de Macau, e insinuou, mais de uma vez, que podia ser o princípio de reincorporação de Taiwan. Ficou acertado que uma Lei Básica, com detalhes sobre o funcionamento do território após 1977, funcionaria como uma Constituição. (...)

No dia 1º  de julho de 1997, a zero hora, a China recuperou o controle de Hong Kong, depois de 155 anos de domínio colonial britânico. O empresário Tung Chi Hua foi designado para liderar o novo governo da ilha, assistido por um Conselho Legislativo.

De acordo com a nova lei, Hong Kong conservará por 50 anos seus direitos e liberdades, sua autonomia judicial, sua natureza de centro financeiro, bem como seu modo de vida. A China reservou para si o controle da defesa e das relações exteriores.

A reunificação iniciou a etapa “um país, dois sistemas”, pela combinação da economia de livre mercado de Hong Kong com o rígido controle político do resto a China.”


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