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UMA CIVILIZAÇÃO MILENAR

A China (termo que significa o “Império do Meio” ou o “Centro do Mundo”), uma
das mais antigas civilizações do planeta, conheceu, ao longo de sua história,
um duplo e antagônico processo: por vezes, o país inteiro se agrupava ao redor
de um governo central; em outros momentos, conflitos internos provocavam uma
quase total desintegração. Alguns sinólogos (denominação dada aos peritos em
assuntos chineses) dão a esse processo o nome de “a teoria do nó”, pois,
em certos períodos, a nação chinesa estava atada por uma administração centralizadora,
períodos esses seguidos por um caótico desatar e a emergência de poderes regionais
nas mãos dos “warlords”, “senhores da guerra”, que possuíam exércitos
particulares, exercendo o mando político em moldes feudais.
O Estado chinês se consolidou há aproximadamente 2.200 anos, sob o Imperador
Qin Shihuan, que, na ocasião, implantou o sistema único de escrita baseado em
ideogramas, até hoje prevalecente no país. O significado dessa inovação foi
a unificação da grafia numa nação na qual eram falados centenas de idiomas.
Agora, embora mantendo suas próprias línguas, os chineses podiam ler os mesmos
textos. No quadro abaixo, resumiremos as primeiras fases da história chinesa:
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OS PRINCIPAIS MOMENTOS DA VELHA CHINA |
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DINASTIA TANG (618 – 907) - restabelecimento da unidade chinesa
após um longo período de fragmentação política; a unidade refeita permitiu
a criação de uma civilização sofisticada e refinada |
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DINASTIA SONG (960 – 1279) - grande desenvolvimento artístico
e tecnológico, superior a qualquer outra sociedade da época |
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UM FEITO TÉCNICO - a partir do século 3 a.C., os chineses, visando
impedir invasões militares provenientes do norte, levaram a efeito a construção
da Grande Muralha, com 5.000 km de extensão. Em 1276, os mongóis, encabeçados
por Gêngis Khan, superaram essa barreira defensiva e tomaram a China
que foi por eles governada até 1368 |
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UMA REVOLUÇÃO CULTURAL - marcou profundamente a cultura chinesa
a figura de Confúcio (Kung Fu-Tze), filósofo cujos princípios básicos
eram: a responsabilidade social de todos os indivíduos; o papel fundamental
da família na comunidade; a honestidade no trato dos assuntos de Estado;
o respeito aos mais velhos e a importância da lealdade. Na mesma época,
o pensador Lao-Tse escreveu a obra fundamental do “taoísmo”, cujo titulo
é “Tao Te Ching” (“O Caminho da Virtude”), que valoriza a naturalidade,
a simplicidade e a espontaneidade |
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SÉCULO XIII - contatos com o Ocidente, iniciados com a chegada
à China do mercador veneziano Marco Pólo |
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SÉCULO XVI - navegadores portugueses fundam, em território chinês,
o enclave de Macau |
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DINASTIA QUING (1644 – 1911) - provenientes da Manchúria, os Imperadores
Quings submeteram os diversos povos locais e moldaram, em termos básicos,
o território da China moderna. Além disso, no século XVIII, a dinastia
Manchu, além de propiciar um grande desenvolvimento econômico e cultural,
expandiu o império, transformando a Coréia, a Indochina, o Sião (hoje,
Tailândia), o Nepal e a Birmânia (atualmente, Mianmá) em estados
vassalos |
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CONFLITOS - a expansão chinesa, além de exigir enormes recursos
financeiros, entrou em choque com interesses geopolíticos de outras potências:
na região sudeste, o governo de Beijing esbarrava com a França que então
controlava a Cochinchina (depois, Indochina Francesa); ao sul, a presença
chinesa incomodava a Inglaterra, que, na ocasião, dominava a Índia; e,
ao norte, eram freqüentes os conflitos com o Império Russo |
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PROBLEMAS ECONÔMICOS - a vida comercial chinesa era vítima
de um excessivo controle estatal, que dificultava o crescimento econômico.
As principais rotas mercantis eram: ao sul, Cantão, “porta de entrada”
dos produtos da Europa Ocidental; na região setentrional, o comércio com
a Rússia passava por Kiakhta. Os principais produtos chineses então exportados
eram: seda, porcelanas, soja, chá, laca e ópio. |
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PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS - ineficiência burocrática e corrupção
na Corte, no Exército e nos quadros administrativos. Progressivamente,
proliferaram rebeliões regionais, em sua maioria provocadas por grupos
étnicos minoritários |

Pagode chinês
Já no início do século XIX, o Estado imperial chinês, em função de seus problemas
internos, experimentava enormes déficits na balança comercial. Além de um grave
surto inflacionário, que provocou a queda do preço da prata – então usada como
moeda, a China tornou-se praticamente dependente de um só produto de exportação:
o ópio. Era cada vez mais evidente, para os analistas da realidade chinesa,
que a Dinastia Quing estava em franca decadência, expressa pela crescente perda
de territórios. Nesse contexto, a China foi obrigada a enfrentar um poderoso
inimigo: a Grã-Bretanha.
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